Minas Gerais · Política
Aécio Neves e o legado que deixou em Minas Gerais
Antes de disputar o Senado, o histórico do ex-governador com as instituições eleitorais e com as obras públicas do Estado.
Aécio Neves declarou que irá disputar o Senado pelo Estado de Minas Gerais, mas você sabe quem ele foi?
Aécio é atualmente o presidente Nacional do PSDB, já foi governador de Minas Gerais, disputou a presidência algumas vezes e é mais ou menos nessa data que precisamos voltar.
Durante todo o governo de Jair Bolsonaro, o ex-presidente atacou as urnas eletrônicas 183 vezes. A mesma urna que o elegeu, ele criticava veementemente, principalmente em 2022 após perder às eleições para Lula. Mas é importante lembrar que esses ataques que ferem a nossa democracia não começou com Bolsonaro, mas começou com Aécio.
Em 2014, após às eleições para presidência, o partido de Aécio, o PSDB, pediu uma auditoria para verificar a “lisura” da eleição. O partido disse que queria evitar o “sentimento” de que houve fraude. Mas como fraude? A urna eletrônica foi implementada no Brasil nas eleições municipais de 1996. Em 2014, havia 17 anos que o equipamento estava sendo usado e apenas naquele momento surgiu esse “sentimento” de fraude? Não é exagero dizer que Aécio Neves é o “pai” de toda essa frente que temos hoje que questiona a integridade das eleições brasileiras.
Depois de perder as eleições e tomar a atitude de querer uma recontagem de votos, abriu os precedentes para que Dilma, pouco tempo depois, sofresse o impeachment. Em abril de 2015, Aécio passou a declarar publicamente que a pauta do impeachment não configurava um golpe, mas sim um instrumento previsto na constituição. Concordamos que é preciso que se investigue e se apure, para que sejam tomadas as devidas providências, mas no caso de Dilma, ela sofreu um golpe e isso já está mais do que provado.
Mas voltando para Aécio, em dezembro de 2015, com a aceitação do pedido de abertura do processo, feito pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, Aécio declarou o apoio oficial do PSDB ao impeachment da ex-presidente. Ao longo dos primeiros meses de 2016, Aécio participou de manifestações e atos públicos, reforçando seu apoio para a queda da presidente. Em seus discursos, ele dizia que o governo havia perdido as condições políticas e morais para governar o Brasil.
Mas sabemos que Aécio agiu por oportunismo, achando, talvez, que teria uma beirada de qualquer coisa quando Dilma sofreu o golpe. Porém, olhando para o cenário estadual, Aécio é um dos piores nomes que nosso estado já teve.
Hoje, Aécio é deputado federal e voltou à cena, depois de dizer que não iria concorrer ao cargo, disputando o governo do Estado de Minas Gerais. Mas não podemos esquecer do que ele fez por Minas nos anos que foi governador e não foram coisas boas. Ele governou o Estado durante os anos de 2003 a 2010 e deixou como sucessor, seu homem de confiança: Antonia Anastasia. O que deixaram para Minas foi uma enorme dívida que tem seus efeitos sentidos no Estado até hoje. Auditorias apontaram que a dívida pública do Estado saltou de R$52 bilhões em 2007 para um patamar superior a R$90 bilhões em 2014.
Todo Estado tem dívidas públicas e isso é inegável, e muitas vezes ela acontece por investimentos em obras que ajudam a melhorar a vida das pessoas, mas no caso de Aécio e Anastasia, eles iniciaram obras que não deram conta de terminar. O legado que deixaram no Estado foram de obras inacabadas ou com graves pendências contratuais e financeiras.
Quadro explicativo
Rede de Hospitais Regionais
Um plano de descentralização da saúde previa a construção de grandes polos hospitalares no interior. Unidades como Sete Lagoas, Governador Valadares, Juiz de Fora, Divinópolis, Conselheiro Lafaiete e Teófilo Otoni tiveram suas estruturas de concreto erguidas, mas as obras foram paralisadas antes da conclusão.
O cenário dessas estruturas inacabadas mudou radicalmente após a assinatura do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho, firmado entre o Governo de Minas Gerais, o Ministério Público e a mineradora Vale. Esse fundo multibilionário destinou cerca de R$ 1 bilhão especificamente para resgatar as obras travadas da saúde. A estratégia foi assumir as estruturas abandonadas, revisar os projetos de engenharia danificados pelo tempo e relicitar os contratos.
Quadro explicativo
Caminhos de Minas
Lançado em 2010, o programa prometia asfaltar mais de uma centena de ligações entre municípios mineiros. A ampla maioria dos trechos planejados — especialmente no Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Zona da Mata — não foi entregue à época.
Muitas estradas receberam apenas serviços iniciais de terraplenagem e foram abandonadas por anos, o que causou a perda do trabalho já executado devido à erosão e à falta de manutenção, exigindo auditorias e novas modelagens de concessão nas gestões que se sucederam.
Quadro explicativo
Cidade Administrativa e saneamento
Inaugurada em 2010 como principal vitrine de Aécio Neves, a Cidade Administrativa de Minas Gerais demandou intervenções posteriores para concluir passarelas e alças viárias de acesso à Linha Verde que ficaram pendentes. O complexo também enfrentou problemas estruturais graves nos poços de elevadores dos prédios principais, exigindo interdições de segurança e reformas corretivas muito após a entrega oficial.
Paralelamente, dezenas de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) licitadas pela Copasa no interior do estado ficaram abandonadas pela metade, muitas vezes com maquinários pesados comprados que nunca chegaram a operar por falta de interligação ao sistema de encanamento público.
Aécio Neves reaparece no cenário político como se nada tivesse acontecido, apostando na perda de memória da população mineira sobre suas omissões e, sobretudo, sobre a situação crítica em que entregou o Estado. Olhar para sua trajetória inviabiliza qualquer voto de confiança. Entregar a administração de Minas Gerais novamente a um perfil tão irresponsável é um risco inaceitável.
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