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Educação: O Caminho do Progresso com Lula e o Risco de Retrocesso com Flávio Bolsonaro

Educação: o retrato de dois governos
SENALBA-MG · Eleições 2026 · Educação

Depois de tratar da saúde, o segundo capítulo da nossa série compara o que os governos Jair Bolsonaro e Lula fizeram pela educação brasileira — e o que está em jogo com a candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026.

Jair Bolsonaro, Lula e Flávio Bolsonaro

O legado de Bolsonaro na educação

Assim como na saúde, a educação brasileira não teve outro vilão além do próprio governo Bolsonaro e de quem ele colocou à frente do Ministério da Educação. Foram quatro anos de desmonte, cortes orçamentários e instabilidade institucional em todos os níveis de ensino.

6 ministros da educação em 4 anos, sem continuidade de planejamento
30% de corte em verbas públicas, incluindo merenda escolar
56,4% dos alunos do 2º ano não sabiam ler ou escrever adequadamente

Com esse cenário, a evasão escolar cresceu, principalmente no ensino médio. Bolsonaro ainda interrompeu iniciativas como o Bolsa Família Educação e limitou as escolas de tempo integral. Em contrapartida, seu governo criou mais de 200 escolas cívico-militares, com gestão influenciada pelas Forças Armadas — modelo questionado por especialistas por não seguir princípios pedagógicos democráticos.

Ataque às universidades e à ciência

O governo também mirou as universidades públicas: tentou introduzir mensalidades, ameaçou a autonomia acadêmica e promoveu campanha contra o chamado “marxismo cultural” nas instituições. As verbas de CAPES e CNPq foram reduzidas, bolsas de estudo e pesquisa foram congeladas ou cortadas, nenhuma universidade nova foi criada e mais de 4 mil obras ficaram paralisadas. A pesquisa científica foi desvalorizada — o que ajuda a explicar o negacionismo do governo durante a pandemia.

Bolsonaro deixou a presidência com um sistema educacional crítico e desestruturado: orçamento abaixo do mínimo constitucional, escolas precárias, milhares de obras inacabadas e professores desmotivados.

A reconstrução no governo Lula

A prioridade de Lula foi clara: reconstruir, recompor recursos e ampliar oportunidades em todos os níveis da educação.

-43% de evasão escolar no ensino médio com o Pé-de-Meia (2022–2024)
600+ escolas novas entregues, com mais de R$ 5 bilhões investidos
25,8% das escolas já em tempo integral, ante 15% em 2021

Na educação básica, as verbas para escolas e merenda foram reajustadas — essencial para jovens da periferia, que muitas vezes fazem dessa refeição a principal do dia. Com o Programa Nacional de Alfabetização, o analfabetismo funcional caiu consideravelmente, e o Pé-de-Meia já beneficiou 5,6 milhões de jovens.

O governo retomou mais de 2 mil projetos paralisados e ampliou o ensino em tempo integral para quase dois milhões de novas vagas. O resultado: o Ideb atingiu o melhor nível em 20 anos, com melhora significativa em português e matemática.

Universidades, ciência e pesquisa de volta ao lugar

No ensino superior e técnico, Lula promoveu a recomposição orçamentária, restaurou recursos de universidades e institutos federais e quitou dívidas históricas. As bolsas da CAPES e do CNPq foram reajustadas e ampliadas, novos campi foram criados e programas de ciência e tecnologia retomados. A liberdade acadêmica e a gestão democrática foram restabelecidas, e o programa de escolas cívico-militares foi extinto, devolvendo à área da educação a responsabilidade pela gestão pedagógica.

Comparação direta: Bolsonaro x Lula (2019–2026)

Área da educação Governo Jair Bolsonaro (2019–2022) Governo Lula (2023–2026)
Orçamento Cortes drásticos e congelamento de verbas; piso constitucional não cumprido Recomposição integral do orçamento; cumprimento do piso e investimentos recordes
Universidades e institutos federais Ataques à autonomia, ameaças de mensalidade, dívidas acumuladas e obras paralisadas Recursos restaurados, dívidas quitadas, autonomia e gestão democrática respeitadas
Bolsas e pesquisa (CAPES/CNPq) Congelamento e corte de bolsas; desvalorização da ciência Reajuste de valores e ampliação de vagas; retomada da pesquisa nacional
Educação básica Instabilidade com 6 ministros; aumento da evasão; queda na alfabetização Programa de alfabetização; Pé-de-Meia reduz evasão em até 43%
Merenda e estrutura escolar Verbas cortadas; milhares de escolas sem condições mínimas Retomada de obras; reforço da merenda e ampliação de vagas públicas
Políticas educacionais Criação de escolas cívico-militares; enfraquecimento de políticas públicas Fim do modelo cívico-militar; retomada da gestão pedagógica
Em resumo: o governo Bolsonaro trouxe desmonte, cortes e instabilidade à educação. O governo Lula reconstruiu o ensino, recompôs os recursos e ampliou o acesso — tratando a educação como o investimento que ela deve ser.

2026: o que propõe cada candidato

O desafio na educação continua o mesmo nas eleições de 2026. Enquanto o governo Lula apresenta um programa claro, estruturado e com resultados já em curso, Flávio Bolsonaro não tem um plano detalhado para a área. Sua única proposta explícita é retirar as universidades federais da subordinação ao Ministério da Educação (MEC) — sem explicar a nova estrutura, o financiamento ou como preservar a autonomia universitária.

Tema Propostas de Lula Propostas de Flávio Bolsonaro
Ensino superior Ampliação de vagas em universidades e institutos federais; expansão de campi; fortalecimento do ensino público gratuito Única proposta conhecida: retirar as universidades federais do MEC, sem explicar substituição ou garantias de recursos
Ciência e tecnologia Ampliação de investimentos em pesquisa; reestruturação de carreiras; integração entre universidade e desenvolvimento nacional Nenhuma proposta apresentada sobre o tema
Educação básica Universalização da escola em tempo integral; continuidade do Pé-de-Meia; meta de alfabetização até o 2º ano; valorização de professores Nenhuma proposta detalhada apresentada
Financiamento da educação Garantia de investimento mínimo constitucional; ampliação de verbas; plano de valorização profissional Nenhuma proposta detalhada apresentada
Autonomia e liberdade acadêmica Garantia de liberdade de ensino, pesquisa e gestão democrática nas instituições Proposta de desvinculação do MEC gera risco de perda de autonomia e de critérios técnicos

A proposta de Flávio representa um retrocesso: repete a mesma lógica de desmonte e desvinculação de políticas públicas que marcou o governo de seu pai. Afastar as universidades da política educacional nacional abre caminho para descontinuidade de investimentos, fragilização da gestão democrática e interferência de critérios alheios ao desenvolvimento científico e social do país.

Entre 2018 e 2026, a postura em relação à educação não mudou em essência. Um povo educado, informado e consciente dos seus direitos dificilmente apoiará projetos que priorizam o desmonte de serviços públicos e o retrocesso social. A educação transforma, liberta e guia escolhas — e é justamente essa independência que se busca evitar.

SENALBA-MG · Série especial Eleições 2026

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