A escolha de Flávio, em uma chapa pura, mostra como o PL e o próprio Flávio estão isolados e não sabem o que fazer
Em entrevista recente, o ex-senador chamou sua própria candidatura de “protesto” — e a escolha do vice só reforça o isolamento do partido.
Em uma recente entrevista ao Jornalismo da Band, foi perguntado ao ex-senador quais projetos de governo ele tinha para o Brasil, para que ele apresentasse o que pensa em fazer para mudar a vida do brasileiro — mas, com a sua resposta, às vezes era melhor ter ficado calado. Como resposta, Flávio Bolsonaro disse que a sua candidatura era um “protesto” pelo que aconteceu com seu pai, Jair Bolsonaro.
Aparentemente, nem Flávio nem nenhum outro bolsonarista conseguem entender que tudo o que aconteceu com Bolsonaro foi reflexo de todas as escolhas ruins que ele fez. Em 2022, quando perdeu a eleição, Jair Bolsonaro não foi um bom perdedor; em suas entrevistas, sempre dizia que era “impossível perder as eleições”, colocando em xeque as nossas urnas eletrônicas.
Além disso, Bolsonaro tentou, por baixo dos panos, dar um golpe de Estado no Brasil, porque se recusava a aceitar a derrota. Bolsonaro foi investigado e detido não porque estava sendo perseguido politicamente, mas porque tentou praticar algo inconstitucional. Isso sem contar as suas escolhas durante a pandemia, que custaram mais de 700 mil vidas por causa do seu discurso negacionista. E se, hoje, o Brasil enfrenta resistência a vacinas e vemos o retorno de várias doenças que estavam erradicadas, isso se deve justamente a esse discurso.
Flávio também ressaltou um ponto muito importante:
“Estou na política há 24 anos e quero fazer mais.”Mas se em 24 anos de vida pública ele não apresentou um único projeto consistente, faria isso como presidente?
A PEC das Praias
Para que todos se lembrem: Flávio foi relator da PEC 3/2022, conhecida como a “PEC das Praias”. Caso não se recordem, essa proposta previa a transferência de terrenos da Marinha para Estados e Municípios, atendendo a uma reivindicação de muitos políticos da direita e de seus apoiadores na época: a privatização das praias brasileiras.
Ainda sobre a entrevista ao Jornalismo da Band, Flávio mostrou-se, em vários momentos, acuado e sem respostas para perguntas simples. A única medida que citou repetidamente foi o combate à violência e o aumento de vagas em presídios. Embora esses pontos sejam relevantes, fica a dúvida: quando um parlamentar cometer um crime, será investigado de forma plena — ou tentarão aprovar, mais uma vez, a chamada PEC da Blindagem?
A escolha do vice
Mas não são apenas as declarações de Flávio que deixam a desejar; suas escolhas também são bastante questionáveis.
No dia de ontem, Flávio anunciou o seu candidato a vice-presidente. A escolha de um nome do próprio PL demonstra que tanto o partido quanto o candidato estão isolados. Ao aprofundarmos o perfil do escolhido, Alfredo Gaspar, descobrimos que ele é suspeito de desvio de emendas parlamentares e responde a acusações de estupro de vulnerável.
Apesar de tentar minimizar o fato, dizendo que Alfredo é “o terror de Lulinha”, não é possível ignorar as acusações que pesam contra ele.
O discurso sobre as mulheres
E para fechar com chave de ouro: Flávio nunca demonstrou respeito pelas mulheres. Tanto que chegou a tentar convidar uma mulher para compor a chapa como vice — mas que mulher aceitaria se associar a ele? Após não conseguir encontrar quem aceitasse o convite, declarou que teve duas filhas para que elas cuidassem dele na velhice.
O discurso de defesa da população e das mulheres soa bonito no papel — e, nesse aspecto, Flávio é até um pouco mais cuidadoso nas palavras do que o pai. Mas, na prática, vemos o seu partido defender a blindagem de políticos, o seu candidato a vice com graves acusações e, em declarações recentes, a redução da mulher ao papel de cuidadora, como se essa fosse a sua única finalidade.
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