Os R$ 61 milhões que Flávio Bolsonaro ainda não explicou
Flávio Bolsonaro disse que iria justificar os R$ 61 milhões que recebeu de Vorcaro, mas, até o momento, ele não deu nenhuma satisfação. Não só não deu, como disse que esse caso já estava “encerrado”. Mas como encerrado? Para quem ele prestou esse esclarecimento? Porque para a polícia não foi. Aliás, por que Flávio ainda não foi investigado? A quem interessa blindá-lo dessa forma?
Desde que o caso do Dark Horse veio à tona, Flávio mente, dá explicações vagas, muda suas versões e agora, simplesmente diz que o caso está encerrado. Primeiro negou qualquer relação com o banqueiro; depois, flagrado nos áudios, reconheceu que pediu o dinheiro; prometeu apresentar contratos e prestação de contas em 30 dias — cem dias se passaram sem que os documentos fossem mostrados integralmente. Agora, em vez de esclarecer, declara que “não deve explicação nenhuma” à sociedade. Trata o eleitorado como se tivesse memória curta e pensamento crítico desprovido de rigor, como se bastasse repetir “está tudo certinho” para que as perguntas desaparecessem.
O dinheiro não veio de qualquer pessoa: veio de Daniel Vorcaro, banqueiro cujo banco foi liquidado por lavagem de dinheiro e suspeitas de fraudes bilionárias. Flávio chegou a pedir ao todo R$ 134 milhões — e recebeu R$ 61 milhões depositados num fundo nos Estados Unidos ligado ao círculo próximo de sua família. O seu escritório de advocacia também faturou R$ 1,5 milhão em notas emitidas em poucos dias para empresas ligadas ao esquema de Vorcaro. Nenhuma dessas ligações foi devidamente explicada.
O candidato parece querer transformar uma questão que exige documentos e esclarecimentos em uma disputa política. Quando questionado sobre o Dark Horse, muda o foco para Lula, para Lulinha ou para qualquer outro assunto. Mas uma coisa não anula a outra.
Flávio deve pensar que esclarecer essas questões para a população é uma bobagem, a própria estreia do filme foi adiada para depois das eleições, como se o problema desaparecesse com o tempo. E por que toda essa pressa em chegar ao Planalto? Flávio já declarou publicamente que, se eleito, usará o cargo para aprovar uma “anistia ampla, geral e irrestrita” — justamente para beneficiar seu pai, condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja: a candidatura não é um projeto de nação. É um projeto de família. Uma campanha cujo objetivo final é conquistar o poder para anular a Justiça e proteger quem deveria prestar contas.
Flávio acredita que o povo esquece e aceita qualquer desculpa. Mas a pergunta permanece: para onde foram esses milhões? E o que Vorcaro recebeu em troca? E não, Flávio: quem decide se uma investigação acabou não é o investigado. O caso não está “encerrado” porque você decidiu chamá-lo assim. As perguntas continuam. E enquanto elas continuarem sem respostas convincentes, o eleitor tem todo o direito de continuar perguntando.
Porque, no fim, a questão é simples: R$ 61 milhões não desaparecem porque um candidato resolveu virar a página.
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