Flávio Bolsonaro disse, em público e em vídeo: “Nunca entrei em avião de Vorcaro”. A afirmação foi feita em julho de 2026, em evento em Brasília, com tom de certeza absoluta. A realidade, porém, conta uma história bem diferente.
Em 19 de janeiro de 2025, o senador e candidato à Presidência viajou de Fort Lauderdale (EUA) a Brasília a bordo de um Legacy 650, prefixo PR‑NLR — jato operado pela empresa Prime You, da qual Daniel Vorcaro era sócio à época. Não foi uma viagem sozinho: estavam com ele a mulher e as duas filhas, além do advogado Willer Tomaz, amigo próximo que também estava no voo.
Quando a reportagem da revista piauí revelou os fatos, Flávio não reconheceu a contradição — ao invés disso, tentou se safar com ironia: “Ainda bem que na época o avião era de Willer”. O detalhe que ele omite é decisivo:

- O jato não era só de Willer: a aeronave tinha propriedade compartilhada, e a empresa ligada a Vorcaro era cotista e operadora à época do voo.
- Ao transferir a responsabilidade para Willer, Flávio joga luz sobre alguém que é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de desvios e lavagem de dinheiro ligado ao INSS. A PF cumpre mandados de busca contra Willer desde agosto de 2026, apontando‑o como peça central de movimentações suspeitas.
Ou seja: ao tentar sair por cima, Flávio não nega mais a viagem — apenas tenta substituir um nome problemático por outro que também está no centro de investigações graves. A manobra não apaga o fato: ele voou sim naquela aeronave, ligada a Vorcaro, em janeiro de 2025, antes de fazer da crítica ao uso desse mesmo jato bandeira política contra outros.
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