O SENALBA-MG vem, por meio desta carta aberta, manifestar seu repúdio diante de um episódio que consideramos grave e que envolve nossa coordenadora e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
No dia 17 de setembro, a FIEMG publicou, em seu site oficial, uma nota à imprensa questionando o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo Governo Federal, destacando, entre outros pontos, o momento em que a medida foi anunciada, próximo ao período eleitoral.
Posteriormente, o mesmo posicionamento foi levado ao Instagram da Federação, possibilitando que qualquer usuário, já que é um canal aberto, manifestassem sobre o conteúdo publicado. Importante lembrar que na legenda, é feito uma pergunta, deixando ainda mais claro que o público poderia participar da discussão.
E foi nesse espaço público de debate que ocorreu o episódio que nos traz a esta manifestação.
Uma coordenadora do SENALBA-MG e realizou um comentário na publicação da FIEMG. Não houve, no comentário, palavras de baixo calão, ameaça ou ataque pessoal dirigido a qualquer indivíduo. A manifestação foi de natureza política e institucional, fazendo críticas ao posicionamento adotado pela Federação.
Ainda assim, o comentário foi ocultado.
Para o SENALBA-MG, a questão é simples: se uma instituição publica um posicionamento político em uma rede social aberta ao público, precisa estar preparada para receber manifestações contrárias àquilo que publicou.
O que torna o episódio ainda mais grave, entretanto, não é apenas a ocultação do comentário, mas à medida que foi tomada em seguida.
No dia 18 de setembro, ou seja, no dia seguinte à publicação, a coordenadora foi suspensa profissionalmente pela instituição, sob justificativa de que seria necessária, a apuração de uma suposta “conduta grave”.
E é sobre essa medida que o SENALBA-MG questiona sua proporcionalidade e coerência.
Como pode uma manifestação feita em uma publicação pública, sem ofensa pessoal ou ameaças, resultar em uma suspensão? Ainda ressaltamos que posteriormente, a mesma publicação foi excluída, após o SENALBA-MG se contrapor publicamente sobre o assunto abordado.
Se era necessário apurar uma suposta conduta grave, por que o conteúdo que teria dado à manifestação foi excluído dias depois?
São perguntas simples que precisam ser respondidas pela instituição.
O SENALBA-MG defende o direito que qualquer cidadão ou trabalhador manifeste sua opinião diante de um posicionamento público de uma entidade que decidiu utilizar seus canais de comunicação para participar de um debate político.
É fundamental que se separe as coisas: uma instituição tem todo o direito de ter diretrizes políticas e fazer posts com essas ideologias, da mesma forma que trabalhadores e cidadão, ainda mais porque foi convidado a se manifestar, possuem o direito de discordar desses posicionamentos.
Uma crítica dirigida à atuação ou ao posicionamento de uma instituição não pode ser automaticamente transformada em uma ofensa pessoal.
A FIEMG, ao ocultar um comentário e punir a dirigente sindical que o fez, está praticando censura. E isso, o SENALBA-MG jamais aceitará.
Para o SENALBA-MG, o episódio ultrapassa a situação individual de nossa coordenadora. Nenhum trabalhador deixa de ser cidadão quando entram em seus locais de trabalho. Eles continuam tendo opiniões, convicções e posições políticas.
O ambiente de trabalho não pode ser transformado em um espaço onde o trabalhador precise medir cada palavra por medo de sofrer uma punição simplesmente por discordar de uma posição pública de seu empregador.
Desde que tomou conhecimento do caso, o SENALBA-MG adotou as medidas que considera necessárias para defender o membro de sua direção, seja ele de qualquer categoria representada, e acompanhar todos os desdobramentos da situação.
Nossa entidade não aceitará que qualquer integrante de sua direção seja intimidado por exercer seu direito de manifestação.
Democracia não é concordar com o outro. Democracia é garantir que o outro possa discordar.
O comentário feito por nossa coordenadora não atingiu a dignidade de um indivíduo. Foi uma manifestação crítica dirigida a uma instituição que havia escolhido participar publicamente de um debate político.
O SENALBA-MG repudia a suspensão aplicada à sua coordenadora e considera grave a forma como o episódio foi conduzido. Não vamos abaixar a cabeça e nem nos calar. Não vamos aceitar intimidação. Não vamos aceitar que trabalhadores sejam colocados sob ameaça por expressarem opiniões. E, principalmente, não vamos permitir que o direito de discordar seja tratado como falta grave.
Seguiremos acompanhando o caso, e já adotamos todas as medidas cabíveis para defender um membro da nossa direção e garantir que seus direitos sejam respeitados.
Para contexto e visualização, segue o que foi postado na rede da Federação, seguido do comentário de nossa coordenadora.



Belo Horizonte, 24 de setembro de 2026.
SENALBA-MG
Direção Colegiada
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