Obviamente não estou me referindo a José de Alencar, o escritor. Me refiro a José de Alencar Gomes da Silva, que presidiu a FIEMG, entre os anos de 1989 e 1995, e sua passagem pela instituição se funde e se confunde com a história do sindicato Senalba-MG. Precisamente no ano de 1994, quando se candidatou ao governo de Minas, assim como você.
O sindicato, entre os papéis de representação que lhe cabem, fez na época da campanha, duras críticas ao seu projeto de governo, com base na plataforma apresentada, já que na federação, a sua condução era contraditória naquilo que ele propusesse. Chegou ao ponto de não suportar as críticas que lhe eram dirigidas, e buscou calar a organização sindical com uma medida extrema, que abalou as relações entre as duas instituições durante décadas, mas que ao final, os perseguidos foram vitoriosos na justiça. Nesse ponto em particular, você está seguindo o mesmo caminho.
Claro que a trajetória de José Alencar foi melhor politicamente, da qual você está tentando construir, mas acredite, não terá sucesso, pois ele era nacionalista, democrata e defendia os interesses do país. Se convenceu do projeto que foi lhe apresentado à época, mas precisamente em meados dos anos 2000, pelo então candidato a presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, e acabou se tornando vice na chapa, em dois mandatos, e nós da direção do sindicato fizemos campanha. No governo, então eleitos, construíram uma verdadeira revolução neste país, e a história acredito que você conhece bem. Zé, como era tratado carinhosamente pelo presidente Lula, combateu cotidianamente a taxa de juros, e olha que naquele momento ela estava na casa dos 8,5%. Você, ao contrário dele, não rebateu no governo Bolsonaro, a taxa de juros, pois preferiu tirar fotos com o ministro da fazenda, o Paulo Guedes, lembra disso?
José de Alencar, quando da primeira tentativa de golpe, que estava se desenhando para tirar o presidente LuLa do governo, foi um dos primeiros atores importantes da república, a repudiar a trama golpista implantada pela mídia, o setor financeiro e parte do empresariado, porque percebeu que a real intenção era acabar com as políticas de desenvolvimento no país, inclusive nas áreas sociais. Mas está claro que parte do projeto que você apoia, é o da construção de um golpe contra as instituições democráticas, constituídas na carta magna.
O projeto do seu candidato, dentre tantas propostas miseráveis, quer levar jovens e adolescentes, que ficam à mercê de ações do crime organizado, a serem encarcerados, em um país que tem uma população carcerária com mais de 900 mil presos. Para alguém que defende a educação, isso é uma verdadeira contradição.
Você na verdade é um mamulengo, de um projeto de extrema direita fadado ao fracasso, basta olhar para a sua posição nas pesquisas eleitorais. Seu candidato à presidência, que tem muito a responder perante a justiça, por envolvimento em várias ações e investigações em curso, divulgado pela mídia cotidianamente, sob os quais lhe pesam crimes de alta gravidade. Domingo será o fim ou o início da derrota dele, pois apenas lhe restará ao final, a cadeira ou a inclusão na lista da Interpol. Diferente do seu caso, o fim será no domingo mesmo.
Antes que digam, aqueles que te apoiam e bajulam, que minha manifestação é absurda ou um crime, ela está protegida pelo artigo 5º, incisos IV E IX e 220 da CF, pelo estatuto da OAB, já que é também papel do advogado zelar pela Constituição e as leis do país, assim como amparo a sociedade, e neste caso em específico os trabalhadores (as), na qual este coordenador sindical representa.
Sérgio Oliveira Santos.
Advogado e coordenador do Sindicato Senalba-MG.
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