Entenda a controversa proposta de raspagem da numeração de munições
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou do primeiro debate com o seu oponente no segundo turno na noite de domingo (18/10). O encontro promovido pela Band foi marcado por mentiras e desinformação por parte de Flávio Bolsonaro. Ele negou que defendeu o PL 3.723/19 que previa a raspagem da numeração de munições, o que dificultaria o seu rastreamento.
A verdade é que o senador defendeu a proposta no Senado em 2022, à época chegou a afirmar que as “armas salvam vidas”. Recentemente o caso foi relembrado durante a sabatina do Jornal Nacional (16/10). Flávio fugiu do assunto e respondeu que isso foi um “detalhezinho”.
Não é apenas um detalhe, como afirmou o presidenciável. Não podemos esquecer do caso que aconteceu em 2021 com a pequena Ana Clara Gomes Machado, que tinha apenas cinco anos quando foi atingida por um disparo de fuzil e faleceu na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ).
De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o tiro foi disparado durante um patrulhamento na região pelo policial militar Bruno Dias Delaroli, que chegou a ser preso preventivamente após a morte da menina. Posteriormente, a justiça definiu que o policial seria submetido ao Tribunal do Júri. Vale salientar que Flávio integrou a defesa do militar e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão. O pedido foi negado e o julgamento ainda não aconteceu.
Você, trabalhador, já parou para refletir quem seria responsável pelo caso da menina Ana Clara caso a numeração da munição estivesse raspada?
Munição que matou Marielle Franco também identificou autores
O caso da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e seu motorista Anderson Gomes, em 2018, também serve de exemplo. A investigação concluiu que o lote UZZ-18 da munição que matou a vereadora foi vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006.
A condenação saiu em fevereiro deste ano, em que o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão; ex-deputado federal, João Francisco (“Chiquinho”) Brazão e Ronald Paulo Alves Pereira por planejarem o homicídio.
Trabalhador, você concorda em retirar a numeração de munições para dificultar identificar os autores?
Lula apresentou fatos verdadeiros
O presidente Lula afirmou que “no governo deles [Jair Bolsonaro], liberaram mais de 1 milhão de armas” e a informação é verídica. Segundo o levantamento dos institutos Sou da Paz e Igarapé, foram registradas mais de um milhão de novas armas particulares no Brasil entre os anos de 2019 e 2022 no governo do ex-presidente Bolsonaro. Os dados foram obtidos junto à Polícia Federal e ao Exército por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
O dado assusta, mas não surpreende já que a gestão de Bolsonaro facilitou o acesso aos armamentos no país, principalmente entre os caçadores, atiradores desportivos e colecionadores. Esse público foi apontado como responsável pelo aumento das armas do crime organizado em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo.
Créditos da foto: Renato Pizzutto/Band
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