O Brasil não precisa repetir os erros do passado
O senador Flávio Bolsonaro resgata a mesma fórmula perigosa utilizada por Fernando Collor de Mello para enganar o povo brasileiro. Apresentando-se como uma renovação, a chapa bolsonarista omite que desprotege a classe trabalhadora e privilegia apenas o capital. Pensando nisso, o Senalba-MG produziu um paralelo entre Bolsonaro e a era Collor para lembrar que a defesa de pautas voltadas ao desenvolvimento social, valorização do salário mínimo, fortalecimento do SUS e soberania nacional exigem barrar retrocessos econômicos que penalizam quem produz a riqueza do país.
Congelamento temporário de dívidas e o confisco da poupança
Flávio e sua coordenadora econômica de campanha, Daniella Marques, prometeram suspender temporariamente as parcelas de empréstimos. A ideia pode ser bem recebida por quem está endividado, mas é importante destacar que congelar pagamentos não eliminará os débitos. Um cenário de cortes em programas sociais e redução de investimentos, como o senador vem planejando, pode contribuir para que a pessoa endividada não consiga quitar a dívida posteriormente.
Em 1990, Collor e sua ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, lançaram o Plano Collor que congelou a poupança e os ativos financeiros por 18 meses. Movimento que teve o maior impacto entre os brasileiros que não eram ricos, mas tinham uma reserva financeira guardada. O governo se justificou na época alegando que o congelamento ia combater a hiperinflação.
Daniella vem fazendo os mesmos movimentos que Zélia fez no passado. As duas representam visões de política econômica muito semelhantes, com promessas de cortar gastos. Movimento que deve atingir principalmente os programas sociais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a proposta de congelar dívidas e a classificou como um “calote geral” ao portal Uol. De acordo com ele, a solução já existe no atual governo e é um programa mais sustentável. “Vamos dar continuidade ao Desenrola, em que, já na próxima etapa anunciada pelo presidente Lula, vamos adquirir as dívidas dos brasileiros com descontos acima de 90%, sem calote, sem magia, tudo com muita responsabilidade”.
Corte em recursos públicos para programas sociais e menos crédito para o trabalhador
Em entrevista para a rádio CBN Bahia em 19/10, Daniela confirmou que em um eventual governo do PL será estabelecido um prazo limite de dois anos para que os beneficiários do Bolsa Família permaneçam no programa. As declarações da coordenadora não surpreendem, já que a política de Bolsonaro entende que financiar programas sociais é queimar recursos públicos.
Os recursos dos programas sociais financiados pela Caixa, como o Minha Casa, Minha Vida, devem ser reduzidos. O programa sofreu cortes no governo de Jair Bolsonaro, quando foi rebatizado de Casa Verde e Amarela. Em 2021, o orçamento caiu de R$ 1,54 bilhão para R$ 27 milhões, uma redução de 98,2%, atingindo a modalidade voltada à construção de moradias para famílias de baixa renda.
A Previdência e o salário mínimo também serão atingidos. Na entrevista ao podcast Market Makers em 06/08, Daniella afirmou ao lado de Flávio que a equipe econômica elaborou 300 alternativas de cortes. Segundo ela, “você não tem moral como governo para debater ajuste de previdência, de salário mínimo e tal, se você não for cortar na carne”.
O senador pretende ainda suspender por um ano a implementação da reforma tributária, medida que pode adiar também a devolução de impostos a até 70 milhões de brasileiros. A campanha dele afirmou que “o adiamento por um ano da reforma tributária é o tempo necessário para ampliar o debate mais democrático e favorecer a implementação de reformas econômicas estruturantes”.
Congelar programas sociais, cancelar pagamentos ou reduzi-los significa retirar recursos que famílias utilizam para comprar comida, pagar contas e manter as crianças na escola. As mudanças precisam apresentar números, regras e garantias concretas. O povo brasileiro não merece ser enganado novamente e o Brasil não precisa repetir os erros do passado.
Vamos lutar juntos contra essas pessoas que querem reviver a política de Collor, que inclusive já declarou apoio ao ex-presidente Bolsonaro.
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