Ao final da apuração de votos ontem, 26 de outubro, Flávio pela primeira vez poderia se diferenciar de seu pai, Jair Bolsonaro, mas só mostrou que é exatamente como ele: mau perdedor e golpista.
Flávio veio à público por volta das 22h30 da noite e, ao invés de ser um bom democrata, como diz que é, agradecer seu eleitorado e aceitar ser o derrotado das eleições, o filho de Jair Bolsonaro seguiu exatamente os mesmos passos do pai. Bom, quase todos.
Em 2022 após a derrota, Jair simplesmente se silenciou e deixou com que seus eleitores ficassem na frente dos quartéis e invadirem a esplanada dos ministérios no dia 08 de Janeiro. Flávio não ficou calado, mas também não reconheceu a sua derrota como disse que faria.
O filho de Jair Bolsonaro fez pior, veio a público dizer que não aceitaria as derrotas nas eleições, por uma “sacanagem” segundo ele.
A “sacanagem” a qual ele se refere, foi a prorrogação do tempo de votação feita pelo Ministro do STF Cristiano Zanin. Apesar de Flávio e seus aliados dizerem que foi um golpe, é importante entender exatamente o que aconteceu no dia de ontem durante as eleições.
Desde às 9 horas da manhã de domingo, moradores de Salvador, na Bahia, já estavam relatando a dificuldade de locomoção para exercerem seu direito de voto. A população reclamou e foi comprovado que Salvador estava rodando com menos ônibus. Pouco tempo depois, começaram a surgir mais denúncias de cidades de outros Estados, como São Paulo, Amapá e Rio de Janeiro. Por conta deste fato, o Partido dos Trabalhadores entrou com um pedido ao TSE, para que se prolongasse o horário dessas cidades e Estados que foram diretamente atingidos.
Mas é importante ressaltar que o PT não foi o único que entrou com esse pedido. O partido de Flávio Bolsonaro também entrou com o mesmo pedido para os Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais por conta das fortes chuvas que atingiram os Estados.
A partir daqui, é importante entender a linha do tempo para saber que a imputação de golpe que a direita quer empregar, não se sustenta.
Primeiro que o Partido dos Trabalhadores pediu essa prorrogação, mas não foram os únicos. Então esse horário a mais beneficiaria ambos candidatos.
Linha do tempo do domingo
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09hFato
Falta de ônibus em Salvador
Eleitores relatam dificuldade para chegar aos locais de votação. Depois surgem denúncias em SP, AP e RJ.
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13h22Pedido
PT pede prorrogação ao TSE
Pedido para estender o horário nas cidades e estados atingidos. O PL também pede, para SC, RS e MG, por causa das chuvas.
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13h54TSE
Pedido chega a Nunes Marques
O ministro já está com o pedido em mãos para decidir.
- ⏱ 2h18 sem decisão
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16h12TSE
Despacho dá 30 minutos aos TREs
Em vez de decidir, Nunes Marques pede informações. O prazo só conta após a intimação, empurrando tudo para perto das 17h.
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16h22Pedido
PT leva o caso ao STF
Mesmo pedido feito ao TSE, agora no Supremo.
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~17hDecisão
Zanin prorroga em todo o país
Decisão quase no fim do horário, valendo para todos os estados.
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17h–19hFato
35 mil votos no horário extra
Total registrado em todo o Brasil, segundo o TSE.
O grande problema de tudo, é que o despacho do Ministro Nunes Marques jogou para o limite do horário de votação a decisão sobre o caso. Os TREs teriam apenas 30 minutos para prestarem informações. O prazo só começaria a contar depois da intimação, que poderia demorar alguns minutos. Ou seja, Nunes Marques demorou a tomar a decisão e fez toda a confusão vista ontem.
A conduta vista por Nunes Marques contrasta com a de Alexandre de Moraes, em 2022. Nunes Marques poderia negar o pedido do PT, assim como Moraes fez. A única questão de discussão é a demora para se tomar qualquer decisão favorável ou não.
Depois dessa confusão, o Ministro Zanin, quase no fim do horário, tomou a decisão de prorrogar o horário para todos os Estados. Mesmo com a medida e a sua rápida divulgação, o Brasil é um País grande, então teriam regiões que a notícia poderia não chegar a tempo.
O que aconteceu ontem é culpa de apenas uma pessoa: Kássio Nunes Marques.
Se ele tivesse tomado a decisão assim que recebeu o pedido, poderia ter evitado toda aquela confusão.
O pedido do PT foi legítimo, tanto que o PL também fez o mesmo apelo. O grande problema, foi Nunes Marques se negando a agir como um Ministro quando foi solicitado.
Flávio diz que não aceita o resultado final e pede apuração de quantos votos entraram nas urnas nessas duas horas adicionais. Segundo o próprio TSE, foram registrados 35 mil votos em todo Brasil entre às 17h e às 19h. E é importante ressaltar que não existe a possibilidade de fraudar as urnas. Uma vez que ela é fechada, não há como abrir.
Ou seja, a fala de Flávio Bolsonaro, que dá a entender que as eleições foram fraudadas não se sustenta, até porque, tudo começou quando prefeitos bolsonaristas interferiram nas cidades para que a democracia do povo brasileiro fosse exercida.
Talvez o golpe esteja injetado nas veias de quem segue o bolsonarismo.
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