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Em ano de disputa, toda palavra conta — e pode atrapalhar

Liderança não é só cargo: é compromisso com o partido

Liderança não é só cargo: é compromisso com o partido

Camilo Santana

Camilo Santana foi nomeado presidente do PT no Senado e isso não é apenas um cargo de projeção nacional, mas também uma forma de apoiar as pautas defendidas pelo partido dentro da Casa e fora, principalmente quando for dar entrevistas. Quem assume essa posição não fala apenas por si: fala em nome de toda a bancada, de um projeto político construído coletivamente e de milhões de eleitores que confiaram na sigla. Em uma recente entrevista concedida ao portal OGlobo, Camilo expôs pensamento próprio para os planos do partido para o Governo de Minas, ao invés de defender o plano que o partido tem que é indicar alguém da casa.

Mais do que uma divergência pontual, chama a atenção a postura passiva que se revela em suas declarações: ao não defender com clareza e firmeza a decisão já encaminhada pela legenda, ao deixar espaço para que suas palavras sejam interpretadas como dúvida ou desalinhamento, ele acaba enfraquecendo a própria posição que deveria representar. Não é só o que se diz publicamente que conta: também é o que se deixa de dizer, ou o que se diz de forma tão ambígua que acaba servindo aos interesses de quem está do outro lado da disputa.

Camilo precisa entender que quando ele dá entrevistas assim, ele não está ajudando o partido como se espera, mas está dando munição para que a oposição aja e use qualquer fala fora do tom contra o atual governo. É necessário entender que em época de eleições, tudo pode e será usado pelos seus oponentes — cada frase, cada hesitação, cada sinal de desacordo interno é transformado em argumento para descredibilizar o partido, seus nomes e suas propostas diante do eleitorado mineiro, que precisa de clareza e união, não de sinais de divisão.

O Senador precisa aprender a falar menos se sentir que a sua fala não irá ajudar os aliados de partido que irão, eventualmente, disputar uma vaga política. Divergências existem e fazem parte da vida política, mas elas devem ser debatidas e resolvidas dentro das instâncias internas, longe dos holofotes, antes de qualquer posição ser levada ao público. Levar impasses internos para a imprensa sem uma resolução coletiva não demonstra autonomia: demonstra falta de cuidado com o projeto que se comprometeu a defender.

Camilo não só erra quando rebate decisões e escolhas do governo, como erra ao ser passivo sobre isso. Não dá para você ser nomeado Presidente no Senado e não ter um tom de fala firme, alinhado com o que foi definido pela maioria da legenda. Essa neutralidade aparente, essa falta de defesa clara do plano do partido, é tão prejudicial quanto uma crítica aberta: pois transmite a impressão de que nem mesmo os líderes confiam no caminho escolhido para Minas Gerais.

Quem fala demais, ouve o que não quer.

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