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Flávio Bolsonaro: A soberania brasileira vale menos do que o seu cálculo eleitoral?

A carta da submissão: o que Flávio Bolsonaro está entregando ao pedir adiamento das tarifas dos EUA

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Ao invés de lutar com todas as forças para defender o Brasil e impedir que os Estados Unidos apliquem tarifas que prejudicariam produtores, trabalhadores e toda a economia brasileira, em seu novo movimento, Flávio Bolsonaro só mostrou, de forma escandalosa, que não se importa com o país que é pré-candidato à presidência e age como um verdadeiro traidor da Pátria. Em um documento de 86 páginas apresentado ao UTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, na sigla em inglês, ele não pede a retirada da medida por ser ruim para o Brasil — pede apenas que ela seja adiada, sob a justificativa vergonhosa de que, se entrar em vigor agora, só vai dar força política ao governo de Lula.

86
páginas de um documento apresentado ao USTR — sem pedir a retirada da tarifa, apenas o seu adiamento.

O que isso significa? Para ele, o prejuízo de 25% sobre os nossos produtos, a queda nas vendas, o risco de fechamento de empresas e a perda de empregos valem menos do que o fato de seu adversário ganhar pontos políticos. Ele mesmo admite que pressões comerciais anteriores dos EUA só fizeram o governo brasileiro se fortalecer diante da população — e mesmo assim, não se preocupa em dizer: “não faça isso, pois vai prejudicar o Brasil”. Sua única preocupação é: “não faça isso, pois vai ajudar quem eu não quero que cresça”. É um raciocínio que coloca a política pessoal muito acima do bem comum.

“Não faça isso, pois vai ajudar quem eu não quero que cresça.”

O verdadeiro argumento por trás do pedido

Mas ele vai muito além. Ao invés de pedir que a ameaça de tarifa seja totalmente cancelada, ele sugere abertamente que os Estados Unidos usem outras formas de punição contra o Brasil: sanções diretas a pessoas, bloqueios de contas, proibição de vistos e medidas baseadas em leis americanas, como a Lei Magnitsky. Isso é o mesmo que entregar nas mãos de um governo estrangeiro o direito de interferir nos nossos assuntos internos, de escolher quem punir e como punir, como se as leis, a Justiça e a soberania do Brasil não existissem ou não tivessem valor nenhum. Como se não bastasse, ele ainda mexe em pontos centrais da nossa autonomia econômica: pede que o sistema Pix fique proibido de se conectar a redes de pagamento internacionais que não sejam do interesse dos Estados Unidos, como se não tivéssemos o direito de definir nossas próprias regras de dinheiro. Defende também que o Brasil se afaste das regras do Mercosul, tratando o bloco como um peso desnecessário, e aponta o caminho da Argentina como exemplo — tudo apenas para parecer mais alinhado, mais útil e mais aceito por Donald Trump.

O que o documento sugere

  • Sanções diretas a pessoas
  • Bloqueios de contas
  • Proibição de vistos
  • Medidas com base na Lei Magnitsky
  • Restrições ao Pix em redes de pagamento internacionais
  • Afastamento do Brasil das regras do Mercosul

Até que ponto Flávio Bolsonaro pode chegar? Até onde ele está disposto a ir para entregar pedaços da nossa soberania, da nossa economia e da nossa independência, só para ser reconhecido por uma potência de fora? Essa carta não é uma defesa do Brasil: é uma declaração de submissão. Quando um representante eleito pelo povo coloca os interesses de outro país acima dos do seu, ele deixa de ser político e passa a agir contra tudo o que deveria proteger. O que ele entrega hoje pode parecer pequeno para ele, mas é uma parte da nossa liberdade e da nossa capacidade de decidir o próprio destino.

“Essa carta não é uma defesa do Brasil: é uma declaração de submissão.”

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