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Preocupação com a campanha, não com o Brasil

Interesse próprio acima do Brasil: a fala de Flávio Bolsonaro no USTR

Interesse próprio acima do Brasil: a fala de Flávio Bolsonaro na audiência do USTR

Pré-candidato pediu adiamento do “tarifaço” americano não em nome dos trabalhadores brasileiros, mas do calendário eleitoral de outubro.

Flávio Bolsonaro na audiência pública do USTR

Flávio Bolsonaro participa de audiência pública do USTR, em Washington

Nesta terça-feira (7), Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, participou de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Essa reunião faz parte do processo oficial de consulta pública que antecede a decisão do governo norte-americano sobre a aplicação de tarifas adicionais — o chamado “tarifaço” — sobre produtos brasileiros, com prazo final para definição marcado até o dia 15 de julho.

Ele próprio solicitou formalmente espaço para falar, apresentou-se como integrante do Senado Federal e pré-candidato, e compareceu ao evento ao lado do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e defende a adoção de sanções comerciais contra o Brasil.

O que deveria ser uma oportunidade para defender a economia nacional, proteger empregos, manter a renda dos trabalhadores e evitar prejuízos para milhões de famílias, revelou-se um discurso de puro interesse próprio. Em sua fala, feita em inglês, Flávio Bolsonaro não questionou a política tarifária dos Estados Unidos, não citou os danos que essas taxas causariam à produção, às exportações nem ao bolso da população.

Sua única alegação foi pedir o adiamento da medida, e o motivo foi explícito: faltam apenas 90 dias para as eleições presidenciais de outubro.

“Este é o pior momento possível” — declarou Flávio Bolsonaro, afirmando apenas que a imposição das tarifas agora mudaria o cenário político e seria difícil de reverter depois.

Essa postura escancara a realidade: o que preocupa ele não é o risco de desemprego, a queda na renda ou o aumento de preços — e sim o impacto político que a decisão pode ter sobre a sua própria campanha eleitoral. Como pré-candidato, ele não foi até aquele fórum internacional defender o Brasil, nem os trabalhadores, nem os setores produtivos: foi defender apenas os seus próprios interesses eleitorais.

Para nós, do SENALBA MG, essa atitude é inaceitável, mas não espanta. Flávio nunca se mostrou interessado nos problemas do país, nem como Senador e tão pouco o fará como Presidente da República. Quem quer liderar o país deve se preocupar com o bem-estar do povo, não com o calendário das eleições. Flávio Bolsonaro deixou claro, na sua própria fala, que o “tarifaço” só é um problema para ele se atrapalhar a sua corrida à Presidência. O resto — o Brasil e a vida dos brasileiros — fica em segundo plano.

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