A demora de Davi Alcolumbre não é prudência. É uma decisão política.
Davi Alcolumbre parece ter se esquecido de quem o colocou onde está. A cadeira que ocupa na presidência do Senado não existe sem o voto popular, sem o trabalho de milhões de brasileiros que sustentam este país todos os dias. Ainda assim, quando chega a hora de responder a uma das maiores reivindicações da classe trabalhadora nas últimas décadas, a prioridade do senador parece ser outra: ganhar tempo.
A PEC que prevê o fim da escala 6×1 não surgiu do nada. Ela é resultado de anos de mobilização, de denúncias sobre jornadas exaustivas e de uma realidade cruel enfrentada por trabalhadores que passam seis dias da semana produzindo riqueza para outros e recebem apenas um dia para descansar, cuidar da família e viver.
Mesmo diante dessa urgência social, Alcolumbre insiste em tratar o tema com uma lentidão injustificável. Promete reuniões, estudos, discussões e análises enquanto milhões de trabalhadores seguem aguardando uma resposta concreta.
“Por que não há pressa?” — a pergunta que o presidente do Senado precisa responder.
Afinal, quando interesses da direita e da oposição entram em pauta, o Senado costuma encontrar velocidade. Quando o assunto é atender às demandas dos trabalhadores, surgem imediatamente os discursos sobre cautela, responsabilidade fiscal, insegurança econômica e necessidade de mais debate.
É impossível ignorar a coincidência entre a demora na tramitação da PEC e a pressão exercida por setores empresariais contrários ao fim da escala 6×1. Os mesmos grupos que lucram com jornadas exaustivas agora encontram no Senado um ambiente confortável para postergar mudanças que poderiam melhorar a vida de milhões de brasileiros.
Alcolumbre afirma que o tema não deve avançar de forma precipitada em um ano eleitoral. O argumento, porém, não convence. Se o calendário eleitoral impede a votação de medidas favoráveis aos trabalhadores, por que não impede a movimentação de outras pautas defendidas pela oposição?
A verdade é que a neutralidade vendida pelo presidente do Senado existe apenas no discurso. Na prática, cada semana de atraso favorece exatamente aqueles que não querem ver a escala 6×1 acabar. Cada adiamento representa mais tempo para o lobby patronal agir, mais tempo para enfraquecer a mobilização popular e mais tempo para transformar uma demanda urgente em uma promessa distante.
Enquanto trabalhadores esperam por uma mudança que deveria ter acontecido há muito tempo, Alcolumbre se comporta como se pudesse administrar o relógio conforme os interesses políticos do momento. Não pode.
A sociedade já debateu esse tema. Os trabalhadores já falaram. As ruas já falaram. As redes sociais já falaram. O que falta não é discussão. O que falta é vontade política.
E toda vez que o Senado escolhe retardar uma pauta que beneficia milhões de brasileiros, está também escolhendo favorecer aqueles que lucram com a manutenção do modelo atual.
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