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O Senado escolheu a escala 6×1 

O Senado e a Escala 6×1

O Senado e a Escala 6×1:
Para quem essa Casa está trabalhando?

Escala 6x1 e o Senado Federal

O Senado Federal voltou a demonstrar de que lado está quando o assunto é a vida do trabalhador brasileiro. Enquanto milhões de pessoas aguardam avanços concretos na discussão sobre o fim da escala 6×1, a Casa prefere arrastar os pés, empurrar o debate para frente e proteger um modelo de trabalho que sacrifica o descanso, a convivência familiar e a saúde física e mental da população.

No centro dessa paralisia está Davi Alcolumbre. Como presidente do Senado, possui o poder de acelerar discussões, pautar matérias e dar andamento às demandas que mobilizam a sociedade. Mas, quando o assunto é o fim da escala 6×1, a urgência desaparece.

O padrão de sempre

O mesmo Senado que consegue votar projetos de interesse das elites econômicas em tempo recorde parece sofrer de uma lentidão crônica quando a pauta beneficia diretamente quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e produz a riqueza deste país.

A postura de Alcolumbre é a de quem parece ter esquecido quem paga a conta da máquina pública que sustenta os privilégios de Brasília. Ao retardar o debate sobre uma reivindicação histórica dos trabalhadores, envia uma mensagem clara: a exaustão da classe trabalhadora pode esperar. O lucro de determinados setores econômicos, não.

Mas se a atitude de Alcolumbre é decepcionante, a de Cleitinho é reveladora.

Nas redes sociais, Cleitinho construiu sua imagem política atacando privilégios, defendendo o cidadão comum e se apresentando como alguém diferente da velha política. Seus vídeos acumulam milhões de visualizações. Seus discursos são recheados de frases de efeito. Sua retórica é cuidadosamente moldada para transmitir indignação e proximidade com o povo.

Entretanto, quando chega o momento de transformar discurso em ação política concreta, o personagem das redes sociais parece desaparecer.

Não podemos esquecer do seu discurso mostrando uma nota de cinquenta reais, falando que aquela nota não compra uma pizza, mas compra o dia do trabalhador.

Diante de uma das pautas trabalhistas mais importantes das últimas décadas, o senador não demonstrou a mesma disposição para confrontar os interesses que sustentam a manutenção da escala 6×1. O resultado é uma contradição impossível de ignorar: o político que pede aplausos como defensor do trabalhador não demonstra a mesma coragem quando precisa enfrentar os grupos econômicos que lucram com jornadas exaustivas.

A verdade é que existe uma enorme diferença entre gravar vídeos para as redes sociais e assumir posições que podem gerar desgaste político junto aos setores mais poderosos do país. Fazer discurso é fácil. Difícil é sustentar esse discurso quando ele exige enfrentamento real.

Um fenômeno cada vez mais comum

O caso de Cleitinho expõe parlamentares que transformam indignação popular em conteúdo digital, mas que desaparecem justamente quando a população espera liderança, coerência e compromisso. O trabalhador não precisa de influenciadores ocupando cadeiras no Senado. Precisa de representantes dispostos a agir.

Enquanto Alcolumbre administra a gaveta onde repousa a esperança de milhões de brasileiros e Cleitinho preserva sua persona de defensor do povo sem apresentar o mesmo empenho na luta pelo fim da escala 6×1, a vida segue dura para quem trabalha seis dias por semana para descansar apenas um.

Se nem uma pauta que mobiliza milhões de trabalhadores consegue ser tratada com urgência pelo Senado, então para quem, afinal, essa Casa está trabalhando?

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