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Nikolas Ferreira e o deboche com quem trabalha

O trabalhador não está com inveja — está cansado
Ilustração do trabalhador brasileiro

Opinião

O trabalhador não está com inveja —
está cansado

O deputado federal Nikolas Ferreira parece viver em um Brasil muito diferente daquele enfrentado diariamente pela população brasileira.

Primeiro, vieram os ataques à educação e aos profissionais que dedicam suas vidas à formação das futuras gerações. Ao se referir a professores como “desconhecidos”, Nikolas demonstrou um desprezo incompatível com a importância social daqueles que sustentam a escola pública e privada brasileira. Em vez de valorizar quem ensina, escolheu a desqualificação.

Enquanto milhões de brasileiros acordam antes do sol nascer, enfrentam jornadas exaustivas, transporte lotado e a insegurança de não saber se o salário vai durar até o fim do mês, o deputado federal Nikolas Ferreira escolheu outro cenário: os Estados Unidos, onde foi acompanhar a Copa do Mundo.

O problema não é a viagem em si. Qualquer trabalhador gostaria de ter tempo, recursos e tranquilidade para desfrutar de um evento esportivo dessa magnitude. O que revolta é a forma como Nikolas respondeu às críticas.

Ao ser questionado por brasileiros que enxergaram contradição entre sua viagem internacional e a realidade de uma população submetida a jornadas exaustivas de trabalho, o deputado reagiu com deboche. Segundo suas próprias declarações, os críticos estariam movidos por “inveja”.

Não, Nikolas. Não é inveja.
É indignação.

A indignação do trabalhador

Acorda às 5h da manhã para encarar ônibus lotado
Trabalha seis dias por semana sem descanso digno
Vê o salário acabar antes do fim do mês
Vê críticas legítimas serem tratadas como piada

O deputado também afirmou que não utilizou verbas parlamentares para custear a viagem. Nikolas se esquece apenas de um detalhe: o mandato que ocupa, o salário que recebe e toda a estrutura que o cerca são financiados pela sociedade brasileira.

Ninguém está discutindo o direito de um parlamentar viajar. A questão é outra. O que causa revolta é a postura arrogante de quem, ao invés de prestar contas à população e responder com respeito, prefere ridicularizar as críticas de cidadãos que sustentam, por meio de seus impostos, o funcionamento das instituições públicas.

A sensação transmitida é a de que existe uma enorme distância entre o político que se apresenta como representante do povo e a realidade vivida pelo povo de verdade.

O trabalhador brasileiro não está com inveja de Nikolas Ferreira.
Está cansado.

Cansado de jornadas desgastantes, de salários insuficientes, de promessas vazias e de políticos que parecem lembrar da população apenas durante as eleições. Está cansado de ver representantes públicos tratando dificuldades reais com ironia e soberba.

Nikolas pode assistir à Copa do Mundo, às Olimpíadas ou a qualquer outro evento internacional que desejar. O problema começa quando quem ocupa um cargo público demonstra mais disposição para zombar das críticas do que para ouvir aqueles que o elegeram.

Porque o cidadão brasileiro não exige luxo, privilégios ou favores.

Exige apenas respeito.

“E respeito é algo que não deveria entrar em férias.”

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