O que está sendo proposto?
Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo, defendeu uma nova reforma da Previdência, alegando que a aprovada em 2019 já não seria suficiente. Para ele, como a expectativa de vida aumentou, o trabalhador deveria contribuir por mais tempo.
No campo ligado a Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha presidencial, afirmou que um eventual governo do senador pretende fazer reformas na Previdência e na legislação trabalhista, dizendo que “o modelo está estourando”.
Linha do tempo das reformas
Reforma da Previdência é aprovada. Estabelece idade mínima de 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens), além de aumentar o tempo de contribuição progressivamente.
Zema defende que a reforma de 2019 “já não seria suficiente” e propõe mais tempo de contribuição e possível elevação da idade mínima.
Marinho anuncia intenção de revisar a Previdência e a legislação trabalhista. Bastidores indicam proposta de correção de benefícios apenas pela inflação.
Como funciona a aposentadoria hoje?
Antes de qualquer debate sobre mudanças, é preciso entender as regras atuais do INSS em 2026:
| Grupo | Idade Mínima | Tempo de Contribuição | Rigor |
|---|---|---|---|
| 👩 Mulheres (regra geral) | 62 anos | 15 anos | Regra dura |
| 👨 Homens (regra geral) | 65 anos | 20 anos | Regra dura |
| 👨 Homens (contribuíam antes de nov/2019) | 65 anos | 15 anos | Regra dura |
| 🎖️ Militares de carreira | Sem idade mínima | 35 anos de serviço (30 militares) | Regime próprio |
A contradição que precisa ser nomeada
O discurso do sacrifício costuma ser seletivo. Para o trabalhador do setor privado, fala-se em mais tempo, mais contribuição, menos proteção. Para outros grupos, reconhecem-se especificidades e regimes diferenciados.
A realidade que os números frios escondem
Defensores de mais contribuição falam em projeções atuariais e expectativa média de vida. Raramente olham para o corpo cansado de quem passou décadas em pé, no caixa de supermercado, na limpeza, na portaria, na cozinha, no comércio ou em trabalhos pesados.
A armadilha do etarismo
Quem defende aposentadoria mais distante quase nunca enfrenta uma questão essencial: o mercado de trabalho já rejeita trabalhadores mais velhos.
O Ministério dos Direitos Humanos reconhece que o etarismo dificulta o acesso de pessoas idosas ao mercado formal.
Muitos idosos que perdem empregos formais são empurrados para a informalidade, diarismo, ambulantes e trabalho precário.
Trabalhadores chegam aos 60 anos com o corpo cobrado por décadas de esforço. Muitos começaram a trabalhar ainda na infância.
O mercado rejeita os mais velhos quando buscam boas vagas — mas o sistema quer obrigá-los a trabalhar ainda mais.
A aposentadoria que fica cada vez mais no horizonte — enquanto o trabalhador não para de correr
O debate que precisamos ter de verdade
O debate sobre Previdência precisa existir — mas não pode ser feito apenas com a linguagem dos cortes. É preciso discutir:
Combate à sonegação fiscal e revisão de renúncias tributárias que beneficiam os mais ricos.
Discussão ampla e transparente sobre todos os regimes, não apenas o dos trabalhadores mais pobres.
Sem emprego formal e salário digno, qualquer aumento de tempo de contribuição é crueldade.
Reconhecimento real das diferenças: quem trabalha em condições insalubres envelhece mais cedo.
🔴 O que está em jogo
A aposentadoria não é favor. É direito construído com contribuição, suor e uma vida inteira de trabalho.
Quando a solução apresentada é sempre trabalhar mais, contribuir mais e receber menos, o recado político é evidente: o trabalhador deve continuar pagando a conta.
Uma sociedade justa não pode transformar a aposentadoria em miragem. Não pode empurrar o trabalhador para uma velhice sem descanso, sem renda suficiente e sem proteção.
Se esse caminho avançar, a aposentadoria deixará de ser o merecido descanso depois de uma vida inteira de trabalho para se tornar um direito cada vez mais distante. Para muitos, distante demais.
📚 Fontes consultadas
- Poder360: Zema propõe mais tempo de contribuição para aposentadoria
- Poder360: Governo Flávio fará reformas da Previdência e trabalhista, diz Marinho
- Poder360: Zema defende alta de salário mínimo e aposentadoria pela inflação
- INSS: Regras de aposentadoria em 2026
- Ministério da Defesa: Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas
- IBGE: Expectativa de vida chega a 76,6 anos em 2024
- IBGE: Um a cada quatro idosos trabalhava em 2024
- Ministério dos Direitos Humanos: Etarismo e exclusão de pessoas idosas do mercado formal
- Ministério do Trabalho: Mais de 13 milhões de pessoas com mais de 50 anos trabalham no Brasil
- Correio Braziliense: Equipe de Flávio Bolsonaro avalia reajuste de gastos sociais pela inflação
- UOL — Entrevista completa com Romeu Zema: youtube.com/watch?v=0gYirlZDzDs
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