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Lula sanciona lei que regulamenta a profissão de doula

Saúde · Lei Federal
Gestante recebendo apoio de doula durante o parto

A lei que regulamenta as doulas no Brasil — o que muda na prática para gestantes

Sancionada em 8 de abril de 2026, a nova lei define quem pode ser doula e garante o acesso à profissional no SUS e nos planos privados.

Redação · 8 de abril de 2026 · Com base no PL 3.946/2021 | Fonte: Agência Brasil

O Brasil tem um dos maiores índices de cesariana do mundo. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as cirurgias representem entre 10% e 15% dos partos, os dados mais recentes mostram um quadro bem diferente no país. Para enfrentar esse cenário — e combater a violência obstétrica —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, em 8 de abril de 2026, a lei que regulamenta a profissão de doula em todo o território nacional.

A medida não teve vetos, foi aprovada integralmente e representa uma vitória de anos de mobilização de mulheres e profissionais da saúde. Mas o que isso significa, na prática, para quem está grávida ou pretende ter filhos?

O cenário que motivou a lei
960,7 mil cesáreas realizadas no Brasil em 2025, segundo a Anvisa
606,9 mil partos normais no mesmo período
61,2% dos partos são cirúrgicos — quatro vezes o limite recomendado pela OMS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chamou esse cenário de “indústria da cesárea”: um sistema em que a logística hospitalar — e não a necessidade médica — acaba determinando o tipo de parto. Maternidades que só realizam partos em dias específicos, dependendo da disponibilidade do anestesista, são um exemplo citado pelo próprio ministro.

A regulamentação das doulas entra como parte da resposta do governo a esse problema estrutural e ao combate à violência obstétrica.


O que é uma doula e como ela atua

A doula é uma profissional de apoio — não de saúde — que acompanha a gestante antes, durante e depois do parto, oferecendo suporte emocional, físico e informacional. Ela não substitui médicos, enfermeiros ou obstetrizes: seu papel é humanizar a experiência do nascimento e dar à mulher mais segurança e autonomia no processo.

Antes do parto
  • Informações baseadas em evidências científicas sobre gestação e parto
  • Incentivo ao acompanhamento pré-natal
  • Apoio emocional e preparação para o nascimento
Durante o parto
  • Orientação sobre posições confortáveis
  • Técnicas de respiração e vocalização
  • Massagens, banhos mornos e compressas para alívio da dor
  • Presença contínua e apoio emocional
Pós-parto imediato
  • Apoio aos cuidados com o recém-nascido
  • Orientação no processo de amamentação
  • Acolhimento emocional da mãe
O que a doula não pode fazer
  • Realizar procedimentos médicos, de enfermagem ou fisioterapêuticos
  • Usar ou manusear equipamentos médico-assistenciais
  • Administrar medicamentos
  • Interferir nos procedimentos dos profissionais de saúde

O que muda para a gestante

A principal mudança prática é a garantia legal de que qualquer gestante pode ter uma doula ao seu lado durante o trabalho de parto, o parto e o pós-parto imediato. Nenhum hospital ou maternidade poderá recusar a entrada da profissional, e nenhuma taxa adicional poderá ser cobrada pela instituição por causa da presença dela.

Isso vale tanto para a rede pública (SUS) quanto para a rede privada. A escolha da doula é exclusivamente da gestante e não cancela o direito ao acompanhante (familiar ou pessoa de confiança) já garantido pela legislação anterior. A lei também abrange todos os tipos de parto — incluindo casos de intercorrências e situações de abortamento.

“A gente entra na sala de parto apavorada, não sabe o que vai acontecer. A doula vai acalmando, vai conversando, vai dialogando. É uma lei que, de fato, humaniza e enfrenta a violência obstétrica.”

Ministra das Mulheres, Márcia Lopes

Requisitos para ser doula

A nova lei estabelece critérios claros para quem quer atuar como doula no Brasil. O objetivo é garantir formação mínima de qualidade para todas as profissionais da área.

Escolaridade mínima

Diploma de ensino médio completo

Formação específica

Curso de qualificação em doulagem com carga mínima de 120 horas

Diplomas estrangeiros

Precisam ser revalidados no Brasil para ter validade legal

Quem já atua

Quem exerce a atividade há mais de 3 anos, com comprovação, pode continuar atuando normalmente


Como a lei chegou até aqui

2021

PL 3.946/2021 apresentado pela então senadora Mailza Gomes, atendendo reivindicação histórica de doulas e movimentos de mulheres

Março de 2026

Câmara dos Deputados aprova o projeto após passar pelo Senado Federal

8 de abril de 2026

Presidente Lula sanciona a lei integralmente, sem vetos, em cerimônia no Palácio do Planalto


O próximo passo

O governo indicou que um projeto paralelo, ainda em tramitação no Congresso Nacional, deve regulamentar a profissão de parteira tradicional — completando um conjunto de medidas para humanizar o atendimento às gestantes em todo o Brasil.

O Ministério das Mulheres informou que o objetivo a médio prazo é avançar para incluir doulas no SUS e ampliar a formação pública por meio de escolas técnicas e de saúde pública, para que todas as mulheres — independentemente de renda — tenham acesso ao suporte dessas profissionais durante um dos momentos mais importantes de suas vidas.

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