Zema tenta vender a Copasa com a conta nas costas do povo
Enquanto a empresa dá lucro, o governo aumenta tarifas, força uma narrativa de urgência e prepara a entrega de um serviço essencial ao mercado
A tentativa de privatização da Copasa não pode ser tratada como simples decisão de gestão. Trata-se de uma escolha política que atinge diretamente trabalhadores, a população mineira e o direito básico ao saneamento.
O governo de Romeu Zema tenta sustentar essa medida com um verdadeiro malabarismo: constrói um discurso de equilíbrio fiscal e eficiência enquanto ignora, ou distorce, os próprios dados da empresa.
Estação de tratamento de água. A Copasa atende mais de 700 municípios em Minas Gerais, serviço essencial que pode ter sua lógica alterada pela privatização.
E os dados são claros: a Copasa encerrou 2025 com receita de R$ 7,4 bilhões, registrando crescimento de 6% no ano. O lucro líquido avançou 7,5%, mesmo em um cenário macroeconômico adverso. O EBITDA também cresceu, reforçando a forte capacidade de geração de caixa da companhia.
A Copasa dá lucro. O discurso de crise não se sustenta.
Os números de 2025 desmontam a justificativa usada para defender a privatização
Não existe urgência técnica para vender a Copasa. O que existe é uma escolha política para entregar ao mercado uma empresa lucrativa e estratégica.
A proposta em discussão prevê a venda de cerca de 45% do capital da empresa, com potencial de arrecadação superior a R$ 9 bilhões. Na prática, isso pode significar a perda do controle estatal sobre um serviço essencial, transferindo decisões estratégicas para um investidor cujo objetivo central será o lucro.
E tudo isso feito com pressa. O processo avança sem o devido debate público, sem transparência e sem participação efetiva dos trabalhadores e da sociedade. Uma decisão que impacta milhões está sendo conduzida como uma simples operação de mercado.
Charge editorial. Romeu Zema malabariza com os dados da Copasa enquanto a população mineira e os trabalhadores cobram explicações. A empresa é lucrativa, mas o governo insiste na venda.
O mercado já ganhou. Agora querem que o povo pague a conta.
A valorização das ações mostra quem já se beneficiou da expectativa de privatização
Valorização acumulada em menos de um ano, impulsionada pela expectativa de privatização
O governo acelera o processo mesmo após a forte valorização das ações, o que levanta um alerta grave: há risco de entregar um ativo estratégico sem capturar plenamente seu valor, prejudicando o Estado e a população mineira.
Nem mesmo o argumento de atratividade se sustenta como antes. O dividend yield, que já foi próximo de 12%, hoje gira em torno de 3%, após a forte valorização dos papéis.
Tarifa alta para o povo, dividendos gordos para o mercado
Para tornar a Copasa mais atraente ao mercado, o governo Zema autorizou sucessivos reajustes nas tarifas de água e esgoto, acima da inflação, antes mesmo de concluir o processo de venda.
Na prática, quem paga a conta são os trabalhadores, os aposentados que vivem com um ou dois salários mínimos e as famílias mais vulneráveis.
O resultado aparece nas agências da Copasa. As filas de reclamação crescem, e as contestações de cobrança simplesmente não são atendidas.
O aumento serve ao investidor, não ao usuário.
Para os trabalhadores, o impacto é direto. Privatizações desse tipo seguem um padrão conhecido: demissões, terceirizações e precarização das condições de trabalho.
Quando a Copasa serve ao interesse público
- ✓ Compromisso com universalização do serviço
- ✓ Atende regiões menos rentáveis
- ✓ Direitos trabalhistas garantidos
- ✓ Gestão transparente e controlável
- ✓ Lucro reverte ao Estado e à população
Quando a Copasa passa a servir ao mercado
- ✗ Lógica de maximização do lucro
- ✗ Risco de exclusão de regiões vulneráveis
- ✗ Terceirizações e demissões previsíveis
- ✗ Decisões estratégicas para o mercado
- ✗ Tarifa como variável de rentabilidade
Não é modernização. É entrega.
A venda da Copasa não nasce de uma necessidade técnica. Ela nasce de uma decisão política.
Os números mostram uma empresa lucrativa, capaz de gerar caixa e estratégica para Minas Gerais. Ainda assim, o governo insiste em tratá-la como se fosse um problema a ser descartado.
No fim, a lógica é simples. O lucro vai para o investidor. A tarifa sobe para o usuário. E o Estado se afasta de sua responsabilidade diante de um direito essencial.
A Copasa não está quebrada. Não está em colapso. Não precisa ser vendida.
O que está em curso é um projeto de transferência de riqueza pública para o mercado, com a conta empurrada para os trabalhadores e para as famílias mineiras.
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