O governo Lula conseguiu reduzir em 16% o preço da gasolina nas refinarias. É um dado concreto, verificável, resultado de uma política de controle da Petrobras que prioriza o interesse nacional. Mas quando o cidadão chega no posto, a realidade é outra: a gasolina está 37% mais cara do que deveria. Aqui em Belo Horizonte, pagamos R$ 6,19 por litro. Se tirássemos esse sobrepreço abusivo dos donos de posto, estaríamos pagando R$ 3,89. Quase metade do preço!
E não para por aí: encher um tanque de 50 litros ficou R$ 67,50 mais caro em três anos, segundo dados da própria ANP, a Agência Nacional do Petróleo. Enquanto isso, em alguns postos de São Paulo, o litro chegou ao absurdo de R$ 9,29. A pergunta que não quer calar é: por que os donos de postos precisam de tanto lucro em cima do suor do povo brasileiro?
Façamos as contas também para o diesel, combustível que move o Brasil: se os postos aplicam a mesma margem de 37% sobre o preço de referência, estamos falando de um rombo gigantesco no bolso de quem transporta alimentos, medicamentos e todos os produtos que chegam à casa do cidadão brasileiro. Essa corja de atravessadores não contribui em nada para o desenvolvimento do país, apenas sangra a economia real para engordar contas bancárias.

Os Números que Desmentem a Narrativa
Vamos aos fatos: a Petrobras responde por apenas 28,4% do preço final da gasolina. Menos de um terço. Enquanto isso, as margens de distribuição e revenda, ou seja, o lucro dos intermediários e postos, somam 19,6% do total. O ICMS estadual, tão usado como bode expiatório pelos adversários do governo, subiu apenas R$ 0,10 por litro. Então de quem é a culpa pelo rombo no bolso do trabalhador? Não é da Petrobras, que reduziu preços. Não são os impostos, que tiveram aumento mínimo. É a ganância dos atravessadores, dos donos de postos, da cadeia de distribuição que vê no combustível uma mina de ouro sobre o sofrimento do povo.
Os donos de postos colocam a culpa no dólar, no preço internacional do petróleo. Mas convenhamos: o petróleo é produzido aqui no Brasil. Somos autossuficientes. E o pouco que precisa ser importado já refinado, o governo subsidia os custos. A desculpa do dólar é velha, batida e facilmente desmascarável. É a mesma narrativa que sempre serviu para justificar o injustificável: o lucro obsceno de poucos sobre o trabalho de muitos.
O Preço que Vai Muito Além do Carro
O preço da gasolina não afeta apenas quem tem carro na garagem. Ele determina quanto você paga no pão, no arroz, no feijão, na carne. O caminhão que traz a comida do interior até a feira da sua cidade roda a diesel. O ônibus que leva o trabalhador ao emprego todos os dias usa combustível. Quando o posto aumenta o preço arbitrariamente, é o cidadão que paga a conta duas, três vezes: no transporte, no mercado, em tudo que chega à sua mesa. Esse aumento não recai sobre os ombros do empresário. Recai sobre os ombros de quem acorda cedo, pega condução e faz este país funcionar.
O Silêncio Conveniente dos “Patriotas”
E onde estão os caminhoneiros da extrema direita que ameaçaram parar o Brasil para tentar reduzir a pena de Bolsonaro? Aqueles que bloquearam estradas, causaram desabastecimento e prejuízo à população em nome de um projeto político autoritário? Por que esse mesmo fervor cívico não aparece para denunciar o abuso dos postos de gasolina? Será que o patriotismo só vale quando serve aos interesses da elite golpista? O trabalhador que dirige caminhão sofre na própria pele esse absurdo todo dia, mas prefere bloquear estrada por Bolsonaro a exigir combustível justo para si mesmo.

Cadê Tarcísio? E Você, Governador Zema?
Os políticos que deveriam fiscalizar, regulamentar e proteger o consumidor preferem olhar para o lado enquanto o povo é saqueado diariamente. Cadê o Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, para enfrentar a máfia dos donos de postos no estado onde o litro chegou a R$ 9,29? Muitos desses estabelecimentos são usados para lavar dinheiro do tráfico, e o silêncio do governador é ensurdecedor.
Mas não podemos deixar de mirar em Minas Gerais. O governador Romeu Zema construiu sua fortuna justamente no setor de combustíveis. A Zema Petróleo chegou a contar com cerca de 300 postos e lojas de conveniência, a maioria em Minas Gerais, antes de ser vendida ao grupo francês Total por estimados R$ 500 milhões em 2018. Mesmo após a venda, Zema permanece membro do Conselho do Grupo, que ainda atua no ramo de distribuição de combustíveis.
Então, governador, o senhor que nasceu e cresceu nesse setor, que sabe como ele funciona por dentro, que conhece cada detalhe da cadeia entre a refinaria e a bomba, nos responda: por que, quando o preço sobe, o aumento chega imediato ao consumidor, mas quando há redução nas refinarias, o desconto nunca aparece na bomba? O senhor sabe a resposta. E nós também sabemos.
Zema prega austeridade fiscal, corta serviços públicos, aperta o orçamento do trabalhador mineiro e se omite completamente diante do assalto diário nos postos de combustível do seu estado. É fácil falar em “eficiência de mercado” quando sua família lucrou meio bilhão de reais justamente nesse mercado.
Por que, quando o preço sobe, o aumento chega imediato ao consumidor, mas quando há redução nas refinarias, o desconto nunca aparece na bomba?
Pergunta que não quer calar
A TV que Só Mostra um Lado
As redes de TV anunciam aos quatro ventos quando há aumento da gasolina. Manchetes dramáticas, especialistas preocupados, o clima de calamidade. Mas onde estão essas mesmas emissoras para denunciar o abuso dos postos? De quem será o interesse em esconder as coisas boas que o governo faz e amplificar apenas o negativo? A resposta está nos donos dessas redes, nos anunciantes, na elite que sempre lucrou com o caos e a desinformação. Informação manipulada também tem dono, e esse dono tem nome e endereço.
Um Alerta Necessário
Trabalhador, trabalhadora: fique ligado na verdade. Preste atenção nas notícias em que você confia. Pergunte-se sempre: quem ganha quando essa história é contada desse jeito? Quando te dizem que “tudo está caro por causa do governo”, investigue quem está realmente enchendo os bolsos no meio do caminho entre a refinaria e a bomba de gasolina.
O governo federal reduziu o preço. Os postos aumentaram o lucro. A TV ficou em silêncio. Os governadores olharam para o lado. E o trabalhador continua pagando a conta.
Até quando vamos aceitar isso em silêncio?

Share this content:

