Caros leitores e leitoras, trabalhadores e trabalhadoras de Minas Gerais e do Brasil, Assistimos, com um misto de indignação e perplexidade, à recente votação da Medida Provisória que institui o programa “Gás do Povo” na Câmara dos Deputados. Uma iniciativa fundamental, que visa garantir o acesso ao gás de cozinha para milhões de famílias de baixa renda, foi aprovada por ampla maioria, mas não sem a resistência daqueles que parecem preferir a miséria à solidariedade.
O “Gás do Povo” é um alento para quem vive na ponta, para quem sente na pele o peso da dificuldade de colocar comida na mesa. Em um país onde a desigualdade social é gigantesca, e onde o preço do botijão de gás se tornou um luxo inacessível para muitos, garantir esse benefício não é apenas uma questão de política pública, mas de dignidade humana. É a certeza de que o alimento será preparado, de que a fome não chegará aos lares mais vulneráveis. É, em suma, um passo mínimo, mas essencial, na construção de uma sociedade mais justa.
No entanto, em meio a essa votação crucial, alguns representantes do nosso estado, Minas Gerais, optaram por virar as costas para essa necessidade premente. É fundamental que os trabalhadores mineiros saibam quem são esses deputados que, com seu voto, se posicionaram contra um benefício tão vital. São eles:
- Eros Biondini (PL)
- Junio Amaral (PL)
- Nikolas Ferreira (PL)
E aqui, faço questão de destacar um nome que, infelizmente, tem se notabilizado mais por suas controvérsias do que por sua defesa dos mais necessitados: o deputado Nikolas Ferreira.
No debate formal do plenário, quem subiu para encaminhar contra e fazer o discurso contra o programa foi outro deputado, Luiz Lima (Novo-RJ). Mas, Nikolas preferiu a arena em que costuma performar melhor, a do vídeo curto, da frase de efeito e do recorte que vira torcida.
Com um discurso inflamado nas redes sociais, o parlamentar mineiro não hesitou em se manifestar contra o “Gás do Povo”, chegando a afirmar que era “óbvio” seu voto contrário. Suas justificativas, pautadas em uma suposta “realidade econômica” e na crítica a um governo que “quer comprar popularidade”, soam vazias e cruéis diante da fome e da privação que assolam tantas famílias.
Enquanto o Congresso discute como pôr gás na cozinha de quem vive contando moeda, a energia militante de parte da direita tem sido canalizada para outro tipo de urgência, o esforço para aliviar a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Bolsonaro está preso e há disputa pública sobre pedidos e possibilidades de mudança de regime, incluindo pedidos de prisão domiciliar, sob decisão do STF.
É chocante observar a disparidade de empenho e paixão que o deputado Nikolas Ferreira demonstra em diferentes causas. Basta olhar para o fervor com que ele se dedicou à defesa do ex-presidente Bolsonaro, organizando caminhadas e mobilizando sua base em prol da impunidade, transformando a política em um palco para o marketing pessoal. Alguém que se diz cristão, que prega valores de fé e moralidade, deveria, por coerência, dedicar-se com a mesma intensidade, ou até mais, à defesa dos mais pobres, à luta contra a desigualdade que tanto desfigura nosso país. Cristão, no básico do básico, é quem entende que dignidade não é prêmio. É chão.
Mas, ao que parece, para alguns, a fé é seletiva. É mais fácil corroborar com a impunidade e fazer marketing político do que estender a mão a quem precisa de um botijão de gás para alimentar seus filhos. É mais cômodo criticar programas sociais do que propor soluções reais para a miséria. A hipocrisia, meus amigos, é um véu que encobre a verdadeira face de quem se diz representante do povo, mas serve a outros interesses.
No vídeo, Nikolas afirma que defende que o benefício seja pago em dinheiro. Só que isso entra em choque com a narrativa que ele e o próprio Bolsonaro já estimularam, a de que beneficiários do CadÚnico usam o recurso para beber ou fazer churrasco. Se essa é a visão que eles propagam, não faria mais sentido garantir diretamente o gás, em vez de repassar dinheiro.
No fim, o posicionamento parece menos guiado por coerência e mais pela lógica do impacto nas redes. Ele se coloca para gerar engajamento, mesmo que isso exija contradições. E muita gente embarca, não por ter analisado o mérito do tema, mas por fidelidade a uma torcida política que aplaude antes de pensar.
Trabalhadores e trabalhadoras, é hora de despertar! É preciso prestar atenção em quem vocês votam. Perguntem-se: de qual lado esses deputados estão? Eles estão ao lado dos que lutam por mais dignidade e justiça social, ou ao lado dos que perpetuam a desigualdade e a miséria? O seu voto tem poder, e ele pode, sim, ir contra você mesmo se não for exercido com consciência e discernimento. Não permitam que a retórica vazia e o marketing político os enganem. Exijam de seus
representantes a defesa intransigente dos direitos e das necessidades do povo. Política não é torcida. Política é boleto, panela, remédio, aluguel e comida. Se você terceiriza sua escolha política para o corte do vídeo e ignora o painel de votação, quem paga o preço é você. Olhe o histórico, compare discursos com votos, e faça a pergunta certa antes de apertar confirma: quem diz me representar está do lado de quem, quando o assunto é a minha vida?
Que este episódio sirva de alerta. Que a memória desses votos contrários ao “Gás do Povo” nos impulsione a uma reflexão profunda sobre o futuro que queremos construir e sobre quem realmente merece a nossa confiança.
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