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Dia Nacional da Consciência Negra: memória, luta e compromisso com a igualdade

O Brasil só pode ser compreendido olhando de frente a história da população negra. Foram mais de três séculos de escravidão. O maior crime social da nossa formação deixou marcas profundas que atravessam gerações e estruturam até hoje as desigualdades que vemos no país. Quando falamos em consciência negra, falamos de memória, justiça e responsabilidade coletiva.

A abolição, em 1888, não significou liberdade plena. Nenhuma política pública acompanhou a libertação. Não houve terra, não houve moradia, não houve acesso à educação ou ao trabalho digno. O Estado brasileiro simplesmente abandonou milhões de pessoas à própria sorte. A desigualdade que vivemos hoje não surgiu do nada. Ela foi construída historicamente, e a sociedade ainda colhe os frutos amargos desse descaso.

Os números deixam isso evidente. Segundo o IBGE, pessoas negras representam mais de 56% da população brasileira, mas são maioria entre os mais pobres, maioria nos empregos mais precarizados e maioria entre as vítimas da violência. Estudos mostram que trabalhadores negros recebem, em média, menos que trabalhadores brancos, mesmo ocupando funções semelhantes. A taxa de desemprego é consistentemente maior entre homens e mulheres negras. Esses dados não são apenas estatísticas. São o retrato de uma dívida histórica que o país ainda não pagou.

O racismo não se limita a atitudes individuais. Ele está presente nas estruturas econômicas, políticas e laborais. Ele molda oportunidades, define quem tem acesso ao estudo, quem chega aos cargos de liderança e quem é empurrado para a informalidade. Por isso, sindicatos comprometidos com justiça social não podem se calar. Defender o trabalhador passa por enfrentar as desigualdades raciais no mercado de trabalho.

O SenalbaMG reverencia a história da resistência negra e reconhece que a construção de um país mais justo depende de ações concretas: promoção de igualdade no ambiente de trabalho, combate às discriminações explícitas e veladas, abertura de espaços de formação, garantia de direitos e fortalecimento das políticas públicas que ampliem oportunidades. Não se trata de favor. Trata-se de justiça.

A consciência negra nos chama a uma sociedade que não normalize a exclusão, que não aceite salários desiguais, que não reproduza violências silenciosas. É um convite à reparação social, à coragem de mudar estruturas e à construção de relações baseadas na dignidade humana.

Neste 20 de novembro, o compromisso do SenalbaMG é reafirmado: continuar lutando para que todo trabalhador e toda trabalhadora negra tenham acesso ao que sempre lhes foi negado. Que a memória seja força para avançar. Que a justiça racial seja um horizonte possível. Que a luta siga viva.

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