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Greve na Copasa: trabalhadores enfrentam o golpe de Zema contra o referendo

Desde o dia 21 de outubro, os trabalhadores da Copasa e da Copanor, em todo o Estado de Minas Gerais, organizados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais (Sindágua MG), entraram em paralisação estadual até o dia 23 de outubro. A medida tem como objetivo barrar o que os trabalhadores definem como um golpe ao direito à consulta popular, o referendo previsto na Constituição de Minas Gerais, sobre a privatização da Copasa.

Fonte da imagem: Site Sindágua MG

A Copasa é uma empresa pública de saneamento que atende centenas de municípios mineiros, responsável por garantir o acesso à água potável e ao tratamento de esgoto para milhões de pessoas. Sua privatização significaria entregar à iniciativa privada um serviço essencial à vida, expondo a população a riscos graves, como o aumento de tarifas, a redução do alcance do serviço e a perda de controle social sobre um bem público.
Os trabalhadores reforçam que o povo mineiro tem o direito constitucional de ser consultado, por meio de referendo, sobre qualquer tentativa de venda de empresas públicas. Como afirmou o Sindágua-MG, “somente com todo o Estado mobilizado poderemos impedir o golpe contra o direito dos mineiros de se manifestarem sobre a privatização de empresas como a Copasa e a Cemig.”

Essa não é apenas uma greve trabalhista. É uma mobilização política e social de grande alcance, que ultrapassa a pauta salarial e coloca em debate o futuro do patrimônio público, o direito à água e o saneamento como política de saúde e dignidade para todos os mineiros.

Zema e o projeto de desmonte do patrimônio público

Na matéria intitulada como “Aqui o Trem Emperra”, em uma sátira ao slogan do governo, podemos ver que todas as áreas destacadas nas propagandas passam uma realidade bem diferente do que é. O ilustre governador de Minas Gerais que diz ouvir muito a população, na prática entrega um “governo” sem pautas para a população, escolas onde falta o básico como abastecimento de água, merenda, higiene. Entrega um governo onde a saúde a cada dia parece estar mais sucateada e sem a menor previsão de um olhar humano para o setor. Entrega um estado onde a mobilidade urbana e a infraestrutura das ruas simplesmente não existem, onde pode-se mapear facilmente os diversos pontos com risco de acidentes que não acontece absolutamente nada.

Na realidade, o Estado de Minas Gerais pode ser facilmente chamado de “O Estado da falta”, porque é exatamente isso que acontece, Minas virou um Estado deixado de lado onde a única preocupação do Zema e seus aliados é privatizar estatais e acabar com algumas áreas de parques mineiros.

Vale lembrar que a Copasa não é a primeira tentativa de privatização do governador, a Cemig foi a primeira estatal que tentaram privatizar, sem sucesso, mas está longe de ser uma discussão finalizada já que, mesmo barrando em uma oposição forte, é uma pauta em “banho-maria” esperando apenas o momento certo para dar as caras novamente.

Zema diz que o motivo real para a privatização das estatais é para usar o dinheiro no pagamento da dívida que o Estado tem com a União, mas será que esse é o real motivo? Porque na prática, o que se observa é um projeto de desmonte do Estado, conduzido sem diálogo, sem transparência e com total desprezo pela vontade popular.

O que se observa é a implementação de um projeto abrangente de desmonte do aparato estatal, que, diferentemente da narrativa oficial, tem sido conduzido sob forte crítica de falta de diálogo com a sociedade civil, sindicatos e especialistas. A transparência do processo também é severamente questionada, com acusações de que informações cruciais não estão sendo devidamente divulgadas para permitir um debate público informado.

Esse processo tem sido marcado por um notável desprezo pela vontade popular e pelas consequências sociais e econômicas de longo prazo. A pressa em alienar patrimônio público, sem a devida discussão sobre o impacto na qualidade dos serviços essenciais (como água, saneamento e energia) e na soberania estadual, sugere que o objetivo pode ir além da simples quitação de débitos. Muitos críticos apontam que o verdadeiro intuito é a entrega de setores estratégicos à iniciativa privada, em detrimento do interesse coletivo e do papel social dessas empresas. O discurso da dívida, assim, serviria como uma cortina de fumaça para encobrir uma agenda ideológica de redução drástica do papel do Estado.

A pressa em entregar empresas públicas lucrativas ao capital privado revela o alinhamento do governador com os grandes grupos econômicos que veem na água e na energia não um direito, mas uma oportunidade de lucro. Zema tenta apresentar o projeto como “gestão moderna”, mas a verdade é que se trata de um ataque direto ao interesse público, conduzido por um governo que governa para o mercado, e não para o povo mineiro.O alinhamento do governador com os grandes grupos econômicos é evidente na pressa em privatizar empresas públicas lucrativas, enxergando água e energia como fontes de lucro, e não como direitos. Embora Zema tente disfarçar o projeto como “gestão moderna”, trata-se, na verdade, de um ataque direto ao interesse público. Este é um governo prioriza o mercado em detrimento do povo mineiro.

Um governo de empresários para empresários

A retórica liberal do governador Zema, apoiada por uma base política alinhada aos interesses empresariais, serve como manobra para ocultar o verdadeiro propósito de suas políticas. O discurso de “eficiência” e “modernização” na gestão de estatais como a Copasa, vendido à população, nada mais é, na prática, do que a transferência de riqueza pública, acumulada ao longo de décadas e financiada pelos mineiros, diretamente para o setor privado.

A agenda de privatizações e concessões, promovida pelo governo, promete resolver problemas estruturais, mas, na realidade, coloca em risco o caráter social e universal do saneamento básico, transformando esse direito essencial em uma lucrativa mercadoria.

Enquanto os grupos empresariais e aliados políticos disputam nos bastidores contratos bilionários, cargos estratégicos e a gestão dos futuros lucros, os trabalhadores da Copasa – os verdadeiros pilares da empresa – enfrentam uma insegurança constante. A ameaça iminente de privatização ou desestatização parcial gera um medo concreto de desemprego em massa, precarização das condições de trabalho e, o que é mais grave, a perda de direitos e conquistas sindicais históricas, obtidas com muita luta.

A venda da Copasa transcende uma simples transação econômica; é um desmonte do patrimônio público que não apenas compromete o futuro dos empregados, mas também a capacidade do Estado de Minas Gerais de garantir o acesso universal e a preços justos a um serviço vital como o saneamento básico para toda a população.

A postura do governo, ao mercantilizar a água – um bem essencial à vida – demonstra uma profunda irresponsabilidade social e moral. Um administrador que trata o saneamento básico como um negócio e retira da população o direito à consulta popular não serve à liberdade, mas sim aos interesses do poder econômico.

Apesar de se apresentar como um gestor eficiente, Zema age como um empresário, administrando o Estado como uma empresa privada, onde o lucro se sobrepõe ao bem-estar coletivo. A tentativa de silenciar o povo e de desmantelar o patrimônio público revela a verdadeira face de um projeto político que visa reduzir a atuação do Estado e, consequentemente, acentuar a desigualdade social.

Impactos na vida dos trabalhadores

Para os trabalhadores da Copasa, a greve representa muito mais do que uma simples paralisação. É uma reação legítima diante da ameaça concreta de perda de direitos, empregos e da própria função social do saneamento público em Minas Gerais.
A mobilização, que reúne servidores da Região Metropolitana de Belo Horizonte e de diversas cidades do interior, ocorre em locais simbólicos como a Assembleia Legislativa e a portaria da sede da empresa, evidenciando que essa luta é também uma luta política.

Os funcionários exigem garantias de estabilidade, respeito aos contratos e reconhecimento do saneamento como dever do Estado e não como um negócio. Cada conquista obtida com anos de trabalho e negociação está agora em risco diante de um projeto conduzido sem diálogo e sem compromisso com os trabalhadores e a população.

Caso a Copasa seja privatizada, as consequências serão devastadoras. A experiência com outras estatais mostra que a entrega ao setor privado é seguida de demissões em massa, terceirizações, cortes salariais e perda de estabilidade. A lógica muda completamente: o lucro passa a valer mais que o acesso à água, e a eficiência financeira substitui o compromisso social.


Essa mobilização é, portanto, um alerta para toda Minas Gerais. Se a Copasa for vendida sem consulta popular e sem controle social, o sistema de saneamento será comandado por interesses empresariais, e os servidores deixarão de ser agentes públicos para se tornarem números em uma planilha de resultados. Mais uma vez, a história se repete e penaliza quem mais trabalha e menos é ouvido.

Por que isso importa para toda a população mineira

A tentativa de privatizar a Copasa sem a realização do referendo é uma mudança estrutural e perigosa no modelo de saneamento básico de Minas Gerais. Essa decisão pode afetar diretamente o acesso da população à água potável, comprometer o tratamento de esgoto, elevar tarifas, reduzir a qualidade do serviço e impedir a universalização do atendimento, agravando as desigualdades sociais.

Quando o saneamento é tratado como negócio, o lucro dita as regras, e as famílias mais pobres deixam de ser prioridade. A lógica de mercado não reconhece o direito à água como um bem essencial, mas como uma oportunidade de lucro. Esse modelo já se mostrou injusto e ineficaz em diversos estados e países, e agora ameaça se repetir em Minas Gerais.

A mobilização dos trabalhadores e dos sindicatos reafirma um princípio fundamental: água e esgoto não são mercadorias, são direitos humanos. A greve é uma resposta legítima e necessária a um processo conduzido sem transparência, sem debate público e em desrespeito à Constituição Estadual, que garante o direito do povo mineiro de decidir sobre o destino do seu patrimônio.

Defender a Copasa pública é defender a democracia, a saúde e o futuro de Minas Gerais, um futuro que não pode ser decidido a portas fechadas, em gabinetes, nem entregue a interesses empresariais que enxergam o povo apenas como consumidor e não como cidadão.

A luta é por democracia, dignidade e soberania

O que está em jogo não é apenas o destino de uma empresa, mas o modelo de Estado que queremos para Minas Gerais. A greve dos trabalhadores da Copasa é um ato de resistência e de defesa da soberania popular, contra um governo que tenta vender o patrimônio mineiro sem ouvir a voz do povo.

Zema e seus aliados escolheram o caminho do autoritarismo e do servilismo econômico. Os trabalhadores, por outro lado, escolheram o caminho da luta, da democracia e da justiça social.
 Manter a Copasa pública é garantir que a água continue sendo um direito, e não um privilégio. É preservar empregos, dignidade e o papel do Estado na promoção da igualdade.

Minas não precisa de um governo que age como corretor de ativos, mas de um governo que respeite a Constituição e o povo mineiro. A luta dos trabalhadores da Copasa é, acima de tudo, a luta de todo cidadão que acredita que a água é vida, e a vida não se vende.

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