O Slogan do Governo de Minas, que têm sido amplamente veiculado na mídia, afirma sobre o atual governo que “aqui o trem prospera”. Mas, o mapa real do Estado mostra outro itinerário, sobretudo na educação mineira. Em vez de aceleração, essa é uma viagem cheia de paradas de emergência.
Segundo matéria divulgada no jornal “O Tempo”, mais de 500 unidades da rede estadual não têm água tratada. Outras centenas despejam esgoto em fossas rudimentares, sem tratamento, o que ameaça a saúde de alunos e profissionais. O próprio diagnóstico oficial de infraestrutura escolar obtido via Lei de Acesso informa que 14% das escolas não têm água desinfetada e 13% não tratam esgoto. Em números absolutos, são 557 escolas sem água tratada e 517 com fossas negras ou absorventes, além de 425 com fossas sépticas que exigem manutenção especializada.
Mas vamos caminhar pelas diversas estações e ver como anda o trem do governo em cada uma delas:
Linha da Educação
Por aqui, o trem está atolado no barro com direito a vista para o esgoto a céu aberto. O problema estrutural de saneamento convive com uma política salarial que desvaloriza a categoria.
Na “Estação Piso Baixo”, o discurso promete valorização, mas o contracheque não acompanha o trajeto. Em fevereiro de 2025, o Tribunal de Justiça atendeu ação do governo e derrubou artigos da Lei estadual do Piso, enquanto a rede recebeu apenas 5,26 por cento de reajuste aprovado na ALMG, abaixo da atualização federal para o piso do magistério em 2025. O sindicato da categoria segue cobrando o pagamento integral do piso nacional.
Na “Estação Torneira Fechada”, quando falta água, falta merenda, falta higiene, falta aula e o aprendizado sai do trilho. E isso reflete nos sinais de piora no acesso e na permanência. Dados do Censo Escolar 2023 mostram que Minas perdeu matrículas no ensino médio e ficou acima da meta de abandono no segmento, com taxa de 6,8%. O ensino fundamental anos finais também registrou crescimento do abandono.
A política de transporte escolar também acumula tropeços. Por aqui, na “Estação Ponto Perdido”, o aluno espera na plataforma, o trem não chega e ainda perde a conexão com o ano letivo . Em junho de 2025, decisão judicial foi necessária para restabelecer o transporte de estudantes com deficiência em Ribeirão das Neves, após suspensão pelo Estado.
Já nas estações “Giz Seco” e “Cantina Vazia”, o professor tenta ensinar, mas não tem infraestrutura, o aluno tenta estudar, mas a alimentação fraca derruba rendimento e com fome não dá para acompanhar o trem. O próprio Tribunal de Contas suspendeu novas adesões ao “Mãos Dadas” por falta de planejamento e transparência, diante de representações que apontaram irregularidades.
O projeto “Mãos Dadas” visava a colaboração entre o estado e os municípios para fortalecer a educação pública, permitindo que os municípios absorvessem a gestão do ensino fundamental, com apoio financeiro e pedagógico do estado.
Linha da Saúde
Na saúde o trem também continua emperrado, nas estações “Corredor Lotado” e “Posto Fechado”, problemas simples viram pane geral no percurso.
Na “Estação Água Parada”, as epidemias voltam, o mosquito toma a cabine e o poder público tenta correr atrás do prejuízo. Em 2024, Minas enfrentou uma epidemia de dengue com números históricos e dramáticos. Foram mais de 1,69 milhão de casos prováveis e pelo menos 1.124 mortes confirmadas até o fim do ano. Em 2025 os casos recuaram, mas o sistema ainda convive com gargalos assistenciais.
No início de 2025, foi a “Estação Morte Infantil” que sofreu com a má gestão desse trem, houve fechamento temporário de leitos de UTI pediátrica no Hospital Infantil João Paulo II por falta de profissionais, segundo nota técnica da própria fundação hospitalar.
Infraestrutura e mobilidade
Nas rodovias, o trem não anda mesmo. Na “Estação Buraco Sem Fim”, as estradas esburacadas encarecem tudo e aumentam o risco. O frete sobe, o emprego cai.
Minas concentra a maior quantidade de pontos críticos do país, segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte). O levantamento de 2024 mapeou 338 pontos em 15,6 mil quilômetros analisados dentro do Estado, campeões nacionais em trechos com alto risco de acidentes e interrupções.

Na “Estação Promessa Vazia” o projeto de ampliação das linhas não sai do papel. Na Região Metropolitana, o metrô virou símbolo de promessa que não chega à plataforma. Após a privatização, o governo vendeu um cronograma de obras e melhorias. O que se vê são indefinições, filas e atrasos apontados em reportagens locais e cobranças por transparência no cronograma da Linha 2 e na modernização da Linha 1. Nessa estação o trem nem chegou a andar e já está paralisado.
Meio ambiente e risco tecnológico
Aqui na “Estação Lama Permanente”, esse trem está soterrado faz tempo. As Barragens seguem em níveis de emergência e a população vive com a mala pronta. É uma vergonha dizer isso, mas Minas continua com dezenas de barragens de mineração em níveis de emergência.
Em abril de 2025, eram 42 estruturas nessa condição, algumas em nível 3 e 2, o que mantém populações sob ameaça e exige planos de ação permanentes. Será que Zema está esperando por mais um rompimento para matar centenas de mineiros e a nossa fauna?
Enquanto isso, na “Estação Rio Sem Ponte”,os cursos d’água estão poluídos, os peixes mortos e as comunidades sem saneamento. Certamente, a estação seguinte é a doença.
Mas, nessa linha há realmente um trem que prospera. Na “Estação Licença Expressa” o licenciamento apressado para as mineradoras corre a todo vapor e o impacto real no território e na vida de quem mora perto dos trilhos, fica para trás rapidinho.
Gestão fiscal e escolhas de governo
Chegamos à “Estação Dívida a Reboque”, aqui o trem puxa um vagão pesado. Ajustes sem estratégia e corte de serviços, que não destravam a economia.
O Estado atravessa a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal. O passivo com a União ultrapassou 180 bilhões de reais em 2024 e a solução pactuada impõe teto de gastos e restrições orçamentárias que estrangulam políticas públicas se não houver contrapartidas de eficiência e receita. Sem um plano claro de prioridades, blindagem do mínimo social e aumento sustentável de receita, tende a se transformar em paralisia e é assim, que o trem emperra.
O que fica do slogan
Quando uma rede estadual convive com água sem desinfecção e esgoto sem tratamento dentro de escolas, o trem, definitivamente, não prospera. Em educação, saúde, infraestrutura e gestão, há uma linha comum: prioridades embaralhadas, pouca transparência nos cronogramas e políticas que não dão conta do básico.
O governo prefere o outdoor, mas a comunidade precisa que Minas funcione com esgoto tratado, professor valorizado e ônibus que chegue. Sem isso, a “Minas Real” emperra na primeira curva.
Se a próxima parada não for a “Estação Manutenção Urgente”, o trem vai entrar em colapso, Minas precisa de trilho reto, não de peça publicitária. O povo já pagou a passagem. Falta o governo conduzir o trem ao destino correto.
Share this content:


